Os pagamentos em atraso da Câmara Municipal de Évora quase duplicaram em 2025, passando de 2,5 milhões de euros no final de 2024 para cerca de 5 milhões de euros no final do ano passado, segundo o relatório do Conselho das Finanças Públicas (CFP) sobre a evolução orçamental da Administração Local em 2025.
De acordo com o documento, Évora registou um aumento de 2,45 milhões de euros nos pagamentos em atraso, atingindo 4,97 milhões de euros em 31 de dezembro de 2025. O valor corresponde a 7,7% da receita efetiva do município nesse ano.
Os pagamentos em atraso correspondem à parcela vencida das contas a pagar em que o prazo de morosidade é superior a 90 dias, distinguindo-se da dívida total municipal. No relatório, o CFP assinala que este indicador registou, a nível nacional, um ligeiro aumento em 2025.
Évora entre quatro municípios acima de um milhão de euros
Évora surge entre os quatro municípios do país com pagamentos em atraso superiores a um milhão de euros no final de 2025. Além de Évora, o quadro nacional inclui Setúbal, com 9,7 milhões de euros, Tábua, com 1,7 milhões, e Santa Comba Dão, com 1,1 milhões.
No conjunto, estes quatro municípios concentravam 80,9% dos pagamentos em atraso registados no quadro por município no final de 2025. O CFP refere, ainda assim, que em nenhum destes casos os pagamentos em atraso representavam mais de 10% da receita efetiva cobrada no mesmo ano.
No caso de Évora, o relatório sublinha que o município não tinha pagamentos em atraso em 2023 e que, face a 2024, registou um acréscimo de 2,5 milhões de euros, para um total de 5 milhões de euros no final de 2025.
Cuba, Ourique e Marvão reduziram pagamentos em atraso
No Alentejo, o quadro do CFP identifica ainda outros municípios com registo de pagamentos em atraso, mas com reduções em 2025.
Em Cuba, os pagamentos em atraso passaram de 511,7 mil euros no final de 2024 para 296,8 mil euros no final de 2025, uma redução de 214,9 mil euros. Em Ourique, o valor desceu de 482,1 mil euros para 147,5 mil euros, menos 334,5 mil euros. Já em Marvão, os pagamentos em atraso passaram de 8 mil euros para 300 euros.
No caso de Cuba, os pagamentos em atraso representavam 3,2% da receita efetiva em 2025. Em Ourique, o peso era de 1%, enquanto em Marvão o valor era residual face à receita efetiva do município.
Dados nacionais apontam para 35 municípios com pagamentos em atraso
A nível nacional, o número de municípios com pagamentos em atraso diminuiu de 36 para 35 entre o final de 2024 e o final de 2025. Segundo o CFP, 272 dos 307 municípios analisados não apresentavam qualquer pagamento em atraso no final do ano passado.
O relatório indica que os pagamentos em atraso, excluindo fluxos entre entidades das Administrações Públicas, atingiram 19 milhões de euros no final de 2025, mais 2,4 milhões de euros do que no ano anterior.
O CFP assinala que os dados relativos à despesa por pagar registaram melhorias em 2025, mas mantêm limitações, nomeadamente por terem carácter provisório e por ainda existirem falhas de reporte em alguns indicadores.


















