O Alentejo poderá voltar a ter um clube nas duas principais competições do futebol português através da entrada de investimento e da mobilização de entidades locais, considera o presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira.
Em declarações ao Jornal ODigital.pt, durante as comemorações dos 100 anos da Associação de Futebol de Évora, o responsável manifestou o interesse da Liga Portugal em contar com clubes de todos os distritos nas competições profissionais.
«O que gostaríamos era que todos os distritos tivessem equipas de futebol profissional», afirmou Reinaldo Teixeira, questionado sobre a ausência prolongada de representantes alentejanos dos dois principais escalões.
O presidente da Liga Portugal ressalvou que a subida de um clube não resulta de uma decisão administrativa. «Não é por decreto, é por criatividade dos dirigentes e também por decisão», explicou, apontando a capacidade de organização e a atração de investimento como fatores determinantes.
Reinaldo Teixeira acredita que a região poderá vir a captar capital para um projeto desportivo. «Mais dia, menos dia, mais ano, menos ano, vai acontecer um investimento também no Alentejo, nalgum clube que se fará em SAD», afirmou ao Jornal ODigital.pt.
O responsável não identificou qualquer clube ou investidor associado a um processo em curso, apresentando essa possibilidade como uma perspetiva para o futuro do futebol na região.
Capital externo tem peso nas competições profissionais
Segundo Reinaldo Teixeira, mais de 60% dos clubes das competições profissionais contam atualmente com participação de capitais estrangeiros.
O presidente da Liga Portugal considera que esta realidade tem influência na capacidade financeira e competitiva das sociedades desportivas, embora tenha destacado também projetos sustentados por investidores e empresários das respetivas regiões.
Na sua perspetiva, o futebol profissional pode gerar retorno para os jogadores e para as estruturas responsáveis pela sua formação. A chegada de atletas aos principais escalões representa receitas para os próprios e para «os clubes que os formaram», salientou.
No caso de Évora, Reinaldo Teixeira apontou o Lusitano e o Juventude como referências históricas da cidade. «São dois grandes símbolos», afirmou, recordando o percurso das duas instituições e admitindo que a conjugação de esforços locais poderá contribuir para um futuro regresso ao futebol profissional.
«Talvez a junção das forças também locais possa fazer acontecer», acrescentou.
Futebol distrital é a base do profissional
O presidente da Liga Portugal defendeu também que o desenvolvimento das competições profissionais depende da existência de clubes, dirigentes, atletas e árbitros ao nível distrital.
«Só tem força o profissional se tivermos um distrital forte», afirmou Reinaldo Teixeira, destacando o trabalho desenvolvido por dirigentes que, de forma voluntária, asseguram a atividade dos clubes.
O responsável salientou ainda a importância dos municípios e das escolas na promoção da prática desportiva, assim como a relação entre o futebol profissional, as associações distritais e as estruturas locais.
A Associação de Futebol de Évora foi apontada como exemplo na resposta às necessidades da arbitragem, por garantir árbitros para as suas competições e criar incentivos destinados aos clubes que encaminham novos elementos para a função.
Para Reinaldo Teixeira, o crescimento depende do reconhecimento do trabalho realizado em cada nível da modalidade. «Se nós percebermos que o crescimento do outro também é o nosso crescimento, tudo é mais fácil», concluiu.
















