O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) alertou esta sexta-feira, em Estremoz, para o crescimento das dependências ligadas ao uso problemático das redes sociais, dos ecrãs e dos jogos online, sobretudo entre os jovens.
O alerta foi deixado por Sofia Albuquerque, vogal do Conselho Diretivo do ICAD, durante o seminário “Tu Não Mandas em Mim: As Redes +/- Sociais”, realizado no Teatro Bernardim Ribeiro.
Segundo a responsável, a problemática dos comportamentos aditivos deixou de estar associada apenas ao consumo de substâncias, passando a incluir fenómenos ligados ao ambiente digital.
«Hoje vamos falar aqui de uma problemática que é o uso problemático do ecrã relacionado com as redes sociais, que recai mais para a vertente dos comportamentos aditivos sem substância», explicou.
Dependências digitais preocupam famílias e educadores
Sofia Albuquerque sublinhou que estas novas formas de dependência são transversais à sociedade e exigem uma resposta preventiva que envolva escolas, famílias e comunidade.
«É um problema transversal a qualquer classe etária e a qualquer classe económica», afirmou, defendendo que a prevenção deve começar junto das crianças e jovens.
De acordo com a responsável, o trabalho de sensibilização é fundamental para promover aquilo que designou como “resiliência digital”.
«O trabalho de prevenção junto das escolas e dos pais é crucial para reforçar aquilo que dizemos que é a resiliência digital, ou seja, proteger as nossas crianças», referiu.
A responsável acrescentou que o impacto das redes sociais e do mundo digital também se faz sentir entre adultos.
«Muitos adultos vivem através das redes sociais uma vida que não é deles», afirmou, referindo que este fenómeno pode ter consequências em várias áreas da vida quotidiana.
Jogos online e pandemia agravaram fenómeno
Durante a intervenção, Sofia Albuquerque destacou ainda o crescimento de outros comportamentos aditivos ligados ao mundo digital, como os jogos online e o jogo a dinheiro.
«Além do uso problemático do ecrã e das redes sociais, temos também as questões do gaming e do gambling, que são outras duas problemáticas», explicou.
A responsável considerou que a pandemia contribuiu para acelerar estas tendências, devido ao aumento do tempo passado em casa e ao isolamento social.
«A pandemia teve um impacto dramático e acelerou estas questões do online e do isolamento social», referiu.
Consumo de álcool e cannabis também preocupam
Sofia Albuquerque admitiu ainda que, no caso dos jovens, existem outras problemáticas associadas ao consumo de substâncias, nomeadamente álcool e cannabis.
Segundo indicou, a cannabis continua a ser a substância ilícita mais consumida entre os jovens, enquanto o consumo de álcool permanece como uma preocupação relevante.
Apesar de, em termos gerais, os níveis de consumo não terem aumentado de forma significativa, a responsável alertou para um agravamento da intensidade dos comportamentos.
«O que aconteceu foi que as pessoas que consomem consomem de uma forma mais problemática», explicou.
O seminário integrou vários painéis dedicados aos comportamentos aditivos sem substância, reunindo especialistas, técnicos e representantes de entidades públicas para debater os desafios associados às dependências digitais.



















