O médico oncologista do Hospital do Espírito Santo de Évora envolvido num processo interno de averiguação à assistência prestada a um doente poderá vir a assumir a coordenação do Serviço de Oncologia da Unidade Local de Saúde do Alto Alentejo (ULSAALE), apurou o jornal ODigital.pt.
O clínico apresentou um pedido de cessação de funções na Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), que gere a unidade hospitalar eborense, com efeitos a partir de 30 de setembro. A instituição não revelou os motivos invocados pelo médico.
Oncologista poderá assumir coordenação no Alto Alentejo
Segundo as informações recolhidas pelo nosso jornal, o oncologista é o nome apontado para assumir a coordenação do serviço no distrito de Portalegre, embora ainda não seja conhecida a data em que poderá iniciar funções.
A situação ocorre enquanto decorre um processo interno aberto pela ULSAC e a análise de uma queixa apresentada à Ordem dos Médicos relacionada com a assistência prestada a um doente oncológico que morreu nas urgências do Hospital de Évora.
Contactada sobre a possível integração do médico e a eventual nomeação para a coordenação do Serviço de Oncologia, a ULS do Alto Alentejo não confirmou oficialmente a informação, à data de publicação desta notícia.
Averiguação aberta após morte de doente oncológico
O processo está relacionado com a assistência prestada a um homem de 64 anos, diagnosticado com cancro na orofaringe, que morreu nas urgências do Hospital do Espírito Santo de Évora em 15 de julho, como noticiado anteriormente.
A família acusa o oncologista de negligência e de ter desvalorizado a febre e os sinais de uma infeção ativa apresentados pelo doente durante a última semana de vida.
Segundo o relato da mulher do utente, o homem começou por apresentar febre cerca de uma semana antes da morte. Após um contacto com o Serviço de Oncologia, foi observado pelo médico, que prescreveu análises clínicas e a toma de um anti-inflamatório.
Nos dias seguintes, o doente continuou a deslocar-se a Lisboa para realizar tratamentos de radioterapia, devido ao encerramento temporário daquele serviço no Hospital de Évora para a realização de obras.
Na véspera da morte, a febre terá regressado. A família voltou a contactar o Serviço de Oncologia e recebeu indicação para o doente manter os tratamentos e comparecer numa consulta na manhã seguinte.
De acordo com a mulher, o doente chegou ao Serviço de Oncologia por volta das 09:00 de 15 de julho, com febre e falta de ar. Terá aguardado cerca de uma hora antes de ser observado pelo médico, que lhe colocou oxigénio e determinou o transporte de ambulância para o Serviço de Urgência, onde acabou por morrer.
ULSAC abriu processo interno em 5 de agosto
A ULS do Alentejo Central determinou, em 5 de agosto, a abertura de um processo interno para «apurar, de forma rigorosa e imparcial, as circunstâncias relacionadas com a assistência prestada ao doente».
Na última informação divulgada pela instituição, o processo encontrava-se em curso e não existia uma data prevista para a sua conclusão.
A ULSAC afirmou que não anteciparia conclusões enquanto as diligências não estivessem terminadas. Até ao momento, não foi tornada pública qualquer decisão que atribua responsabilidade clínica ao médico.
A Ordem dos Médicos confirmou ter recebido a queixa, posteriormente remetida para análise do Conselho Disciplinar.
A família apresentou igualmente queixas ou reclamações ao Departamento de Investigação e Ação Penal Regional de Évora, à Secretaria-Geral do Ministério da Saúde, à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, à Entidade Reguladora da Saúde e à Provedoria de Justiça.
Médico propôs transferência de doentes
ODigital.pt apurou ainda que o oncologista propôs a doentes que acompanhava na ULS do Alentejo Central a transferência dos respetivos processos e do acompanhamento clínico para a ULS do Alto Alentejo.
A possível entrada do médico na ULS do Alto Alentejo surge, assim, enquanto as averiguações relacionadas com a morte do doente continuam sem conclusões públicas. Até ao fecho desta notícia, a unidade de saúde não confirmou oficialmente a eventual nomeação nem a data de início de funções.















