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Lince ibérico passou de espécie “em risco” a “vulnerável”

O número de linces ibéricos adultos multiplicou-se por dez neste século e o animal deixará de ser classificado como “em risco” passando a espécie “vulnerável” na Lista Vermelha elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

A organização internacional vai atualizar a sua lista vermelha de espécies ameaçadas no próximo dia 27, mas anunciou hoje em comunicado que uma das novidades é a melhoria do estatuto de conservação deste mamífero endémico da Península Ibérica, que chegou a ser a espécie de felino mais ameaçada de extinção no planeta.

“Os esforços de conservação permitiram recuperar esta espécie depois de estar perto da extinção, com um aumento exponencial da sua população que passou de 62 espécimes adultos em 2001 para 648 em 2022”, precisou a UICN.

“No momento em que a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN celebra o seu 60º aniversário, a sua importância não pode ser exagerada como a mais completa fonte de informação sobre o estado da biodiversidade mundial. É uma ferramenta essencial que mede o progresso no sentido de travar a perda e alcançar os objetivos globais de biodiversidade para 2030. A melhoria do estatuto do lince ibérico (…) mostra que a conservação bem-sucedida funciona tanto para a vida selvagem como para as comunidades”, refere Grethel Aguilar, diretora-geral da UICN, citada no comunicado.

Segundo a organização, a população total do lince ibérico (Lynx pardinus), incluindo jovens e adultos, é estimada em mais de 2.000 exemplares.

Desde 2010, mais de 400 linces ibéricos foram reintroduzidos em partes de Portugal e Espanha e o animal ocupa agora pelo menos 3.320 quilómetros quadrados, contra 449 quilómetros quadrados em 2005. De acordo com o Censo 2023 do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), existem em Portugal 191 exemplares de lince ibérico.

“Os esforços de conservação da espécie têm-se centrado no aumento da sua presa, o ameaçado coelho europeu (Oryctolagus cuniculus), na proteção e restauração do ‘habitat’ mediterrânico e florestal e na redução das mortes causadas pela atividade humana”, refere o comunicado.

Criada em 1964, a Lista Vermelha classifica as espécies em três níveis (“baixo risco”, “ameaçadas” e “extintas”), com subníveis em cada um destes grupos.

No caso das espécies ameaçadas existem três subníveis, que do menor ao maior grau de severidade são “vulneráveis” (a classificação que o lince ibérico passará a ter), “em risco” e “criticamente ameaçadas”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Uma espécie vulnerável tem menor risco de extinção do que uma ameaçada, mas o perigo mantém-se devido a problemas como a perda de ‘habitat’, alterações climáticas, acidentes rodoviários ou a caça furtiva, pelo que a UICN recomenda que os animais continuem a ser monitorizados até que a sua capacidade reprodutiva e capacidade de sobrevivência melhorem.

A organização alerta ainda para as doenças que os gatos podem transmitir ao lince e para as oscilações que outras epidemias podem causar na população de coelhos, o seu alimento básico.

A Lista Vermelha da IUCN inclui 44.000 espécies animais e vegetais (28% do total), sendo que mais de um quarto dos mamíferos corre algum risco de extinção.

Entre os que correm maior perigo estão o camelo selvagem (Camelus ferus), o vison europeu (Mustela lutreola), o gorila nas suas subespécies oriental e ocidental (Gorila beringei e Gorila gorila), o rinoceronte de Java (Rhinoceros sondaicus) e o orangotango de Sumatra (Pongo abelil).

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