Eclipse junta dezenas de pessoas em Estremoz: «É uma conjugação de uma série de sortes» (c/fotos)

Dezenas de pessoas reuniram-se na quarta-feira junto à Igreja de Santiago, em Estremoz, para observar o eclipse solar. A iniciativa foi organizada pelo Centro Ciência Viva de Estremoz e incluiu explicações sobre o fenómeno e observação com equipamento adequado.

Para Rui Dias, coordenador científico do Centro Ciência Viva de Estremoz, a concentração de pessoas explica-se pela conjugação de vários fatores. «É uma conjugação de uma série de sortes», afirmou em declarações ao jornal ODigital.pt.

Uma coincidência entre o Sol e a Lua

O coordenador explicou que, apesar de o Sol ser muito maior do que a Lua, os dois astros apresentam no céu um tamanho aparente semelhante.

«A Lua é 400 vezes mais pequena do que o Sol, mas está 400 vezes mais perto da Terra do que o Sol. Isto faz com que, apesar de o Sol ser muito maior do que a Lua, quando olhamos para o céu vejamos os dois quase com o mesmo tamanho», explicou.

Quando a Terra, a Lua e o Sol ficam alinhados, a Lua pode projetar uma sombra sobre a superfície terrestre. Essa sombra atravessa apenas uma faixa estreita do planeta, o que faz com que os eclipses totais só possam ser observados a partir de determinados locais.

«Estamos no sítio certo para ver o efeito dos três astros praticamente alinhados», resumiu Rui Dias.

Em Estremoz, o eclipse foi parcial, embora com uma ocultação próxima dos 96% do disco solar. A fase de totalidade foi observável apenas numa pequena área do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança.

A Lua está a afastar-se da Terra

Rui Dias destacou ainda que a Lua se afasta gradualmente da Terra, a uma média de cerca de 3,8 centímetros por ano. Esta distância altera, ao longo de milhões de anos, a forma como os eclipses podem ser observados. A NASA confirma este valor com base em medições realizadas através de refletores deixados na Lua pelas missões Apollo.

«Daqui a 100 ou 200 milhões de anos já não vamos conseguir observar o momento que temos hoje», afirmou.

O coordenador científico lembrou também que, em 2027, ocorrerá outro eclipse solar total na Península Ibérica, embora a faixa de totalidade não atravesse Portugal continental.

«À medida que a ciência foi tendo mais conhecimentos, os mitos tornaram-se menos importantes»

A observação do eclipse foi acompanhada por explicações sobre o fenómeno e pela utilização de equipamentos próprios. Para Rui Dias, a evolução do conhecimento científico alterou a forma como os eclipses são interpretados.

«Sempre procurámos explicar o mundo em que vivemos. Quando a ciência tinha muito poucos conhecimentos, inventavam-se histórias. À medida que a ciência foi tendo mais conhecimentos, cada vez os mitos se tornaram menos importantes», afirmou.

O coordenador referiu ainda que a redução repentina da luz pode provocar alterações no comportamento de alguns animais, incluindo aves. Estudos científicos têm registado mudanças na atividade e nos padrões de voo de várias espécies durante eclipses solares.

A atividade em Estremoz terminou depois do período de observação do eclipse, que decorreu com recurso a equipamentos adequados e seguindo as recomendações de segurança para proteger a visão.

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