A participação das crianças nas decisões do dia a dia, as dificuldades com a alimentação e o lugar das tecnologias na infância são alguns dos temas do novo episódio do VÄLIDO Talks, que tem como convidada a terapeuta da fala Beatriz Conceição.
Natural de Baleizão, Beatriz Conceição é coordenadora técnica da Clínica Escutamente e autora do livro «A Colher Mágica e o Mistério dos Sabores». Na entrevista, cruza a experiência profissional com as memórias de infância e as decisões que a levaram a regressar ao Alentejo depois de estudar em Setúbal.
Brincar, comunicar e participar nas escolhas
A conversa começa por explicar o trabalho desenvolvido na terapia da fala, passando pela linguagem, leitura, escrita e alimentação, mas também pela relação entre as dificuldades acompanhadas e a confiança das crianças na interação com outras pessoas.
Beatriz conta como adapta as sessões aos interesses de cada criança, mantendo os objetivos da intervenção. A escolha de um jogo ou de uma brincadeira pode servir de ponto de partida: «Eu adapto o jogo que eles escolheram, a brincadeira aos objetivos que eu quero trabalhar com eles».
O episódio aborda ainda a participação nas tarefas familiares, a oportunidade de fazer escolhas e a importância de ouvir aquilo que os mais novos pensam. Escolher entre duas peças de roupa ou ajudar na preparação de uma refeição são alguns dos exemplos apresentados pela terapeuta.
Uma história nascida da prática clínica
O acompanhamento de uma criança com seletividade alimentar esteve na origem de «A Colher Mágica e o Mistério dos Sabores».
Beatriz Conceição explica como essa experiência deu forma ao desejo de escrever para crianças. A história apresenta dois gémeos com dificuldades diferentes na relação com a comida, procurando dar a conhecer essas situações e mostrar às famílias que podem procurar acompanhamento.
A autora recorda também o processo de publicação, desde a intenção inicial de avançar por conta própria até ao contacto com editoras, passando pela ilustração e pelo trabalho de divulgação do livro.
De Setúbal ao regresso ao Alentejo
O percurso pessoal ocupa outra parte da entrevista. Beatriz saiu de casa aos 17 anos para estudar em Setúbal, onde teve de aprender a organizar horários e rotinas longe da família.
Depois de concluir o curso, decidiu regressar ao Alentejo, apesar de contar ter ouvido que essa escolha seria «morrer na praia» em termos profissionais. Sem respostas aos currículos enviados, procurou outra abordagem: uma mensagem através do Instagram abriu caminho à entrevista que a levou à Clínica Escutamente.
A aprendizagem e a coordenação de equipas completam um percurso que Beatriz continua a encarar como formação: «Eu sou uma eterna estudante», afirma.
O episódio integra a parceria entre o Jornal ODigital.pt e o VÄLIDO Talks. Na abertura da conversa, o apresentador informa também que o podcast tem uma parceria com a Clínica Escutamente, esclarecendo que a entrevista foi agendada antes desse acordo.
🎙️ VÄLIDO Talks
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