A Infraestruturas de Portugal (IP) lançou um concurso público, com um preço base de 12 milhões de euros, sem IVA, para reabilitar a ponte de Vila Velha de Ródão, sobre o rio Tejo, que liga este concelho a Nisa, no distrito de Portalegre. O anúncio foi publicado esta quarta-feira, 30 de setembro, em Diário da República.
A empreitada, na ER18, prevê a substituição integral do tabuleiro e o reforço dos pilares e das estruturas de apoio nas duas margens. O prazo de execução é de 600 dias e as propostas podem ser apresentadas até às 17h00 de 29 de outubro.
Substituição do tabuleiro e reforço dos apoios
De acordo com a memória descritiva do projeto, a intervenção contempla a remoção do tabuleiro existente e a construção de uma nova plataforma, sustentada por vigas metálicas e uma laje de betão armado. Os dois pilares no leito do Tejo e os encontros, que asseguram o apoio nas margens, serão mantidos e reforçados.
A largura total do tabuleiro passará de cerca de 8,7 para 10,4 metros. A faixa de rodagem manterá sete metros, distribuídos por duas vias de circulação, enquanto os passeios terão 90 centímetros de largura livre.
O projeto inclui barreiras de segurança com proteção para motociclistas, acesso para cadeiras de rodas no passeio do lado de jusante e colocação de enrocamento junto à base dos pilares para proteção contra a erosão.
Corte total de trânsito não deverá exceder 12 meses
A execução dos trabalhos obrigará à interrupção da circulação rodoviária na ponte. A memória descritiva antecipa uma fase inicial com condicionamentos, incluindo circulação alternada ou cortes pontuais, seguida de um corte total por um período a acordar com a IP, que “não deverá exceder os 12 meses”.
Durante o encerramento, o desvio previsto será pelo IP2, via Barragem de Fratel. O projeto determina a manutenção dos acessos locais nas duas margens, incluindo a ligação a Vila Ruivas pela estrada municipal M1373.
O período de corte total é distinto dos 600 dias previstos para a execução da empreitada. Os documentos não indicam a data de início dos trabalhos nem a calendarização do encerramento.
Restrições aos pesados anunciadas em setembro de 2025
A IP anunciou a interdição da circulação de veículos pesados com tara superior a 3,5 toneladas a partir de 16 de setembro de 2025. O aviso divulgado então previa o desvio pelo IP2 e indicava que os veículos ligeiros poderiam circular sem restrições.
A avaliação estrutural resumida no projeto concluiu que o tabuleiro metálico existente não permite verificar a segurança para as cargas regulamentares analisadas. Perante os resultados, a projetista Betar recomendou à IP a limitação da circulação a veículos ligeiros.
A solução escolhida passa pela substituição integral do tabuleiro. O documento reconhece também que, mesmo após o reforço, subsistirão incertezas sobre o comportamento dos pilares e dos encontros, relacionadas com as características dos materiais e o conhecimento disponível sobre as estruturas existentes.
Investimento já previsto no orçamento da IP
A intervenção constava da Portaria n.º 635/2025/2, publicada em novembro de 2025, que previa encargos de 12 milhões de euros para o reforço da ponte, repartidos entre 2026 e 2029 e suportados pelo orçamento da IP.
O anúncio agora publicado indica que o contrato não tem financiamento de fundos da União Europeia. A adjudicação será avaliada pelo preço, com uma ponderação de 80%, e pela qualidade, com 20%.
Segundo a memória descritiva, a ponte foi construída entre 1881 e 1887 e alargada na década de 1990. A travessia assegura a ligação rodoviária entre o Alto Alentejo e a Beira Baixa.
















