Soraia Almeida é a convidada do novo episódio do VÄLIDO Talks, numa conversa sobre os acontecimentos que marcaram diferentes fases da sua vida e a forma como aprendeu a reconstruir-se perante mudanças que não estavam nos planos.
Empreendedora na área da estética e mãe de gémeos, Soraia apresenta-se como uma pessoa sonhadora, mas reconhece que o tempo lhe ensinou que nem todos os objetivos acontecem quando são idealizados. «Às vezes os sonhos ficam só pelos sonhos e alguns foram ficando para trás. Mas eu nunca desisti», afirma.
Uma infância marcada por hospitais
A história começa ainda nos primeiros meses de vida. Segundo relata na entrevista, uma infeção óssea levou-a a sucessivos internamentos e intervenções cirúrgicas, num percurso médico que se prolongou até à adolescência.
Soraia conta também que perdeu parte dos dedos de uma mão na sequência de uma complicação ocorrida durante um internamento e que passou grande parte da infância entre hospitais, tratamentos e períodos de recuperação.
Aos 12 e 13 anos já se deslocava sozinha a consultas e assumia parte dos próprios cuidados médicos. Essa experiência, explica, obrigou-a a crescer mais cedo e teve consequências na forma como passou a relacionar-se com a família, os amigos e consigo própria.
O sonho de ser mãe e o diagnóstico de infertilidade
A maternidade ocupa outra parte central do episódio.
Soraia Almeida conta que sempre quis ser mãe, mas que, por volta de 2018 e 2019, recebeu a informação de que poderia não conseguir engravidar. Durante esse período, optou por não revelar à maioria das pessoas aquilo que estava a viver.
«Eu queria muito ser mãe e era o maior sonho da minha vida. E nessa altura descobri que não conseguia ser mãe», recorda, explicando que o silêncio acabou por contribuir para o isolamento num momento em que várias pessoas próximas estavam também a constituir família.
Depois de tratamentos e de um período de incerteza, a realidade mudou rapidamente: primeiro soube que estava grávida e, duas semanas depois, que esperava gémeos.
Da maternidade à separação
A chegada dos filhos, Benedita e Gabriel, trouxe uma nova fase, mas também desafios associados à gestão diária de dois bebés e à falta da rede de apoio que Soraia acreditava que teria.
Mais tarde, a separação do pai dos filhos representou outro momento de rutura com a vida que tinha idealizado. Soraia reconhece que o primeiro ano foi particularmente difícil, embora atualmente mantenham uma relação funcional em torno dos filhos.
Aprender a pedir ajuda e estabelecer limites
A saúde mental, a procura de acompanhamento psicológico e a importância de estabelecer limites são igualmente abordadas durante a conversa.
Soraia explica que aprendeu a afastar-se de relações que considerava prejudiciais, incluindo no contexto familiar, defendendo que os laços de parentesco não devem impedir alguém de estabelecer limites quando sente que determinadas relações estão a afetar o seu equilíbrio.
A convidada refere também a importância que encontrou numa comunidade que a acolheu depois da separação, numa fase em que se sentia sem capacidade para gerir sozinha o quotidiano com os filhos.
Partilhar para chegar a quem passa pelo mesmo
Atualmente, Soraia Almeida utiliza também as redes sociais para falar das suas experiências.
A intenção, explica, passa por chegar a pessoas que estejam a atravessar circunstâncias semelhantes e que possam reconhecer-se no seu percurso. «Eu falo muito nas redes, ajudo muito e partilho muito porque acho que é a maneira de conseguir que as pessoas sejam ouvidas», afirma.
O episódio percorre ainda temas como expectativas, maternidade, relações familiares, autoestima, trauma, apoio psicológico, empreendedorismo e crescimento pessoal.
A entrevista integra a parceria entre o Jornal ODigital.pt e o VÄLIDO Talks, através da qual os leitores podem acompanhar os episódios e conhecer os principais conteúdos de cada conversa.
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