Portugal assinala esta sexta-feira, pela primeira vez, o Dia Nacional da Vinha e do Vinho, uma nova efeméride que passa a integrar o calendário nacional e será celebrada anualmente a 31 de julho.
A data foi instituída através do Despacho n.º 9616/2026, publicado esta quinta-feira, 30 de julho, em Diário da República, e assinado pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes. O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) ficará responsável por dinamizar e coordenar as iniciativas associadas à celebração.
Segundo o Governo, o objetivo é reconhecer a importância histórica, cultural, económica, social, ambiental e paisagística da vinha e do vinho em Portugal, bem como valorizar as castas, as regiões vitivinícolas e o papel do setor na identidade e na economia dos territórios.
Data assinala os 40 anos do Instituto da Vinha e do Vinho
A escolha de 31 de julho está relacionada com a aprovação, em Conselho de Ministros, do diploma que criou o Instituto da Vinha e do Vinho, ocorrida em 1986.
O Decreto-Lei n.º 304/86 foi aprovado pelo Conselho de Ministros a 31 de julho desse ano e publicado em Diário da República a 22 de setembro. O diploma criou o IVV e transferiu para o novo organismo parte das competências que pertenciam à Junta Nacional do Vinho, entretanto extinta.
Quarenta anos depois, o instituto assume funções de coordenação e controlo do setor, além de responsabilidades relacionadas com as denominações de origem, indicações geográficas e informação disponibilizada aos agentes económicos.
A primeira celebração do Dia Nacional da Vinha e do Vinho coincide também com o lançamento do novo Portal da Vinha e do Vinho e com a publicação do Anuário 2025 de Vinhos e Aguardentes de Portugal.
A nova plataforma permitirá consultar informação, serviços e publicações, assim como apresentar declarações de produção e existências, registar documentos de trânsito e aceder a informação sobre os apoios disponíveis para o setor.
Municípios do vinho defendem valorização do setor
A Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) congratulou-se com a criação da efeméride, depois de ter assinalado, durante vários anos, o Dia do Vinho no primeiro domingo de julho, em parceria com a ViniPortugal.
A associação tem defendido a valorização da vinha e do vinho enquanto património nacional e apresentou ao Governo uma proposta para a respetiva classificação como Património Cultural Imaterial de Portugal.
“Portugal possui um património vitivinícola único. Temos uma paisagem vinhateira de exceção, uma enorme diversidade de vinhos e de castas autóctones e um reconhecimento internacional que distingue os nossos produtos em todo o mundo”, afirma José Arruda, secretário-geral da AMPV.
O responsável considera que a instituição do Dia Nacional da Vinha e do Vinho constitui “um sinal de reconhecimento e valorização” da cultura, do setor e dos territórios onde se desenvolve a atividade vitivinícola.
Entre os exemplos destacados pela associação encontram-se a Região Demarcada do Douro, a Paisagem Cultural do Alto Douro Vinhateiro e a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico, as duas últimas inscritas na Lista do Património Mundial da UNESCO.
Portugal exportou 341 milhões de litros de vinho em 2025
A instituição da nova data ocorre num setor com presença em várias regiões portuguesas e peso nas exportações nacionais.
Em 2025, Portugal tinha 169.663 hectares de vinha e produziu 595,6 milhões de litros de vinho.
No mesmo ano, foram exportados 341 milhões de litros, correspondentes a 954 milhões de euros. O volume vendido no exterior aumentou 1,1% e atingiu um novo máximo, embora o valor das exportações tenha recuado 1,1% e o preço médio tenha descido 2,2%, para 2,80 euros por litro.
O Dia Nacional da Vinha e do Vinho passa, assim, a ser celebrado anualmente a 31 de julho, com iniciativas a coordenar pelo IVV e com a participação das entidades e dos territórios ligados ao setor vitivinícola português.




















