Receber o diagnóstico de Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) de um filho mudou por completo a forma como Ana Filipa Tavares passou a olhar para a vida.
É essa história que partilha no mais recente episódio do VÄLIDO Talks, numa conversa marcada pela emoção, pela resiliência e pelo desejo de ajudar outras famílias que possam estar a viver uma situação semelhante.
Mãe de Afonso, atualmente com 11 anos, Ana Filipa recorda que os primeiros sinais surgiram ainda antes dos dois anos, quando percebeu que o filho não reagia ao ser chamado e evitava o contacto ocular. Na altura, decidiu procurar respostas, iniciando um longo percurso de avaliações médicas até chegar ao diagnóstico de Perturbação do Espetro do Autismo.
“Foi um terramoto silencioso”
Ao recordar o momento em que ouviu o diagnóstico, Ana Filipa admite que ficou “sem chão” e que sentiu “o mundo mudar de eixo”.
Conta que saiu da consulta, sentou-se nos degraus da casa do pai e chorou durante largos minutos. Nesse momento, recorda ter visto uma estrela cadente e pedido apenas que “tudo corresse bem”, independentemente das dificuldades que ainda desconhecia.
Apesar do impacto inicial, explica que rapidamente percebeu que precisava de encontrar forças para ajudar o filho. Como afirma durante a entrevista, “eu sou a ponte que o vai ajudar”, ideia que passou a orientar todas as decisões da família.
Um caminho feito de terapias e pequenas conquistas
Desde cedo, Afonso iniciou um acompanhamento intensivo, com terapia da fala, terapia ocupacional, psicomotricidade e equoterapia.
Ana Filipa recorda que chegou a sair do trabalho diretamente para levar o filho às diferentes terapias, numa rotina que se repetiu durante vários anos.
Hoje, celebra conquistas que, durante algum tempo, chegaram a parecer impossíveis.
Quando recebeu o diagnóstico, nem os profissionais conseguiam garantir que Afonso viesse um dia a falar. Atualmente, comunica, frequenta a escola e conquistou níveis de autonomia que representam, para a família, vitórias diárias. Como explica, “cada pequena conquista era motivo de festa”.
A inclusão continua a ser um desafio
Durante a conversa, Ana Filipa alerta para as dificuldades que continuam a existir nas escolas portuguesas.
Na passagem do 4.º para o 5.º ano, Afonso passou de uma escola com poucas turmas para um estabelecimento com cerca de 680 alunos, mudança que descreve como uma das fases mais difíceis vividas pela família.
Segundo explica, o excesso de estímulos sonoros provocou dores de cabeça, ansiedade e dificuldades de adaptação, levando mesmo o filho a permanecer vários dias sem conseguir frequentar as aulas.
Para Ana Filipa, continua a existir falta de formação dos profissionais e de estruturas adequadas para responder às necessidades destas crianças.
Um apelo à empatia
Mais do que falar sobre autismo, Ana Filipa pretende contribuir para uma sociedade mais informada e compreensiva.
Recorda episódios em que ouviu adultos chamar “maluco” ao filho ou criticar o seu comportamento sem conhecerem a realidade da família.
Por isso, deixa um apelo simples: antes de julgar, é importante procurar compreender.
“Todos nós temos uma história”, afirma, defendendo que pequenos gestos de empatia podem fazer uma enorme diferença na vida das famílias que convivem diariamente com o autismo.
A entrevista integra a parceria entre o Jornal ODigital.pt e o VÄLIDO Talks, através da qual os leitores podem acompanhar os episódios do podcast e conhecer, em artigos próprios, os principais temas debatidos em cada conversa.
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