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Quando recebeu o diagnóstico de Perturbação do Espetro do Autismo do filho, Ana Filipa Tavares tinha pouco mais de 20 anos.
Sabia que havia algo diferente no desenvolvimento de Afonso, mas não estava preparada para ouvir um diagnóstico que, nas suas palavras, “foi um terramoto silencioso”.
No mais recente episódio do VÄLIDO Talks, a mãe recorda aquele dia como um dos momentos mais difíceis da sua vida.
Conta que saiu da consulta sem conseguir dizer uma palavra. “O mundo continuava igual. Eu é que tinha mudado”, afirma, recordando que passou largos minutos sentada nos degraus da casa do pai, a chorar, enquanto tentava encontrar forças para enfrentar uma realidade completamente nova.
O luto do filho idealizado
Uma das partes mais marcantes da conversa prende-se com aquilo que Ana Filipa descreve como “o luto do filho desejado”.
Explica que todos os pais idealizam um futuro para os filhos e que aceitar um diagnóstico desta natureza implica reconstruir essa expectativa.
Ainda assim, sublinha que esse processo não diminui o amor pelos filhos. Pelo contrário, permitiu-lhe compreender que precisava de aceitar a realidade para conseguir ajudá-lo.
Como explica durante a entrevista, “nós somos a principal ponte da ajuda para os nossos filhos” e, por isso, acredita que procurar apoio nunca deve ser visto como sinal de fraqueza.
“Todos nós temos uma história”
Ao longo da conversa, Ana Filipa lamenta o preconceito que ainda existe em relação ao autismo.
Recorda episódios vividos em supermercados e espaços públicos, onde o comportamento do filho foi interpretado como falta de educação.
Chegou mesmo a ouvir adultos chamarem “maluco” ao filho.
Para a mãe, estes episódios demonstram que continua a faltar conhecimento sobre o autismo e, sobretudo, empatia.
“Todos nós temos uma história”, afirma, defendendo que muitas situações seriam diferentes se as pessoas procurassem compreender antes de julgar.
Uma sociedade que ainda não está preparada
Ana Filipa considera que as escolas continuam sem recursos suficientes para responder às necessidades das crianças com Perturbação do Espetro do Autismo.
Na sua opinião, continuam a faltar profissionais especializados, auxiliares com formação específica e espaços tranquilos onde estas crianças possam autorregular-se quando os estímulos se tornam excessivos.
Defende ainda que o tema deve ser mais trabalhado junto das crianças e dos jovens para promover uma verdadeira inclusão.
“Sou feliz”
Apesar de todas as dificuldades, Ana Filipa diz que hoje encontrou uma nova forma de olhar para a felicidade.
Durante algum tempo acreditou que nunca voltaria a ser feliz. Hoje pensa exatamente o contrário.
“Sou feliz mesmo o meu filho tendo um problema”, afirma, explicando que a felicidade passou a medir-se pelas pequenas conquistas, pela união da família e pelo crescimento dos dois filhos.
Na parte final da entrevista deixa uma mensagem dirigida aos pais que possam estar a iniciar o mesmo caminho.
Pede que aceitem o diagnóstico, procurem ajuda e nunca tenham vergonha de pedir apoio.
“Temos de ser as primeiras pessoas a dar o passo para o bem dos nossos filhos”, conclui.




















