Centro Escolar de Sousel investe 590 mil euros em tecnologia para preparar alunos para a área digital

O novo Centro Tecnológico Especializado de Informática vai apoiar os cursos de Informática de Gestão e Computação e Redes

O Centro Escolar de Sousel prepara-se para arrancar, em setembro, com um Centro Tecnológico Especializado de Informática. O investimento, de cerca de 590 mil euros, vai reforçar a formação profissional na área digital e criar novas condições para os alunos dos cursos de Informática de Gestão e Computação e Redes.

Um centro tecnológico para a área digital

O Agrupamento de Escolas de Sousel tem praticamente concluído o novo Centro Tecnológico Especializado de Informática, uma estrutura pensada para reforçar a oferta profissional e responder às necessidades de formação na área digital.

Segundo a diretora do agrupamento, Elisabete Pereira, o projeto encontra-se fisicamente concluído, faltando apenas a instalação de alguns painéis. A expectativa é que esteja operacional no início do próximo ano letivo.

«Em setembro possamos arrancar com os dois cursos que temos como oferta formativa: Informática de Gestão e Computação e Redes», afirma a diretora.

O projeto resulta de uma candidatura aprovada depois de uma primeira tentativa noutra área. Elisabete Pereira explica que o agrupamento pretendia inicialmente um Centro Tecnológico Especializado Industrial, mas acabou por avançar com a candidatura na área da informática.

«Ficámos muito felizes. Embora não tenhamos conseguido o industrial, conseguimos o de informática», refere.

Investimento de 590 mil euros

O novo CTE representa um investimento global de cerca de 590 mil euros, financiado no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência.

Para Elisabete Pereira, este investimento é uma mais-valia não apenas para a escola, mas também para o concelho de Sousel e para os municípios limítrofes.

«Será uma mais-valia não apenas para o nosso agrupamento como também para o concelho de Sousel e todos os concelhos limítrofes», sublinha.

A diretora destaca ainda o envolvimento da comunidade escolar durante a implementação do projeto, nomeadamente funcionários e alunos, que ajudaram na receção e organização do equipamento.

Computadores, robótica, impressoras 3D e inteligência artificial

A coordenadora do CTE, Inocência Peças, explica que o novo centro está equipado com cerca de 40 computadores fixos e 40 computadores portáteis, destinados às salas de informática.

Além destes equipamentos, o espaço recebeu painéis interativos, impressora 3D, braço robótico e cerca de 50 computadores para montagem pelos próprios alunos.

«Os alunos poderão adquirir conhecimentos e depois construir o seu próprio computador», explica Inocência Peças.

A coordenadora refere que os computadores chegaram sem componentes instalados, permitindo que os estudantes trabalhem hardware como motherboard, fonte de alimentação, disco e outros elementos necessários à construção de um equipamento informático.

Aprender com tecnologia de ponta

O CTE foi pensado para aproximar os alunos da tecnologia que vão encontrar no ensino superior, no mercado de trabalho e nas empresas.

Inocência Peças considera que o contacto direto com estes recursos pode aumentar o interesse dos alunos e facilitar a aprendizagem.

«O poderem chegar à escola e não só ouvir falar, mas também colocar-se em contacto com estas tecnologias, é uma mais-valia», afirma.

A coordenadora sublinha que a evolução tecnológica obriga também os professores a uma atualização permanente. «Para nós, enquanto professores, também é um desafio, porque temos de nos adaptar a estas novas tecnologias», refere.

Salas pensadas para trabalho em grupo

O novo centro não foi concebido como uma sala de aula tradicional. Elisabete Pereira explica que o mobiliário foi escolhido para permitir maior mobilidade, com mesas e cadeiras com rodízios.

A ideia é que os alunos possam trabalhar em pequenos grupos, em ambiente colaborativo.

«Não queremos uma sala de aula tradicional em que os alunos estão sentados no mesmo sítio, sob a orientação total do professor», afirma a diretora.

As câmaras instaladas nas salas vão permitir acompanhar o trabalho dos alunos e apoiar situações de videoconferência ou acompanhamento remoto.

Inocência Peças explica que esta tecnologia poderá ser útil em casos em que um aluno, por motivo de saúde, não possa estar presente na escola, mas consiga assistir à aula a partir de casa.

Robótica e casas inteligentes

A componente de robótica é outra das áreas previstas no CTE. O centro recebeu kits com sensores, Arduíno e microcontroladores, que podem ser usados na construção de pequenos projetos tecnológicos.

Inocência Peças dá como exemplo a criação de soluções associadas a casas inteligentes, como sistemas que permitem acender uma luz quando uma pessoa chega à porta.

«Todo esse controlo e configuração das casas inteligentes usa muito estes componentes ligados à robótica», explica.

A inteligência artificial será também uma dimensão presente na formação, embora a coordenadora reconheça que é necessário trabalhar os limites da sua utilização.

«Os alunos estão cada vez mais a usar a inteligência artificial. Temos que encontrar aqui um limite», afirma.

Parcerias com ensino superior e empresas

O CTE terá também ligação ao exterior. Elisabete Pereira refere que o agrupamento já estabeleceu parcerias no âmbito do projeto, nomeadamente com o Instituto Politécnico de Portalegre.

A escola recebeu ainda manifestação de interesse de uma empresa disponível para acolher alunos em formação em contexto de trabalho.

«Estes CTE têm que estabelecer pontes com o mundo empresarial e com o mundo exterior», sublinha a diretora.

A responsável admite ainda que o centro possa vir a ser utilizado pela comunidade, em projetos devidamente organizados e ligados ao ensino profissional.

Tecnologia também chega ao interior

Para Inocência Peças, que é natural de Santo Amaro e veio de uma realidade com maior acesso a recursos tecnológicos, o projeto tem também um significado territorial.

A coordenadora sublinha a importância de este tipo de investimento chegar a concelhos do interior.

«É muito bom haver este tipo de projetos que permitem que a tecnologia e este investimento cheguem a todo o lado», afirma.

No Centro Escolar de Sousel, o CTE passa assim a integrar a aposta no ensino profissional, reforçando a formação digital, a robótica, o contacto com equipamentos tecnológicos e a ligação entre a escola, as empresas e o ensino superior.

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