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Évora: Acessibilidades ao Hospital Central com novo impasse devido à não desclassificação de um troço de 300m

Carlos Zorrinho revelou entraves do IMT nas acessibilidades ao Hospital Central do Alentejo e admite recorrer ao primeiro-ministro.

O presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, revelou que o processo de desclassificação de um troço da Estrada Nacional 114, necessário para a construção da rotunda de acesso ao Hospital Central do Alentejo, continua bloqueado pelo IMT, classificando a situação como «um livro quase kafkiano».

As declarações foram feitas na última reunião pública do executivo municipal, onde o autarca abordou o ponto de situação das infraestruturas associadas ao novo hospital e os vários constrangimentos que têm marcado o processo.

Segundo Carlos Zorrinho, a maioria das questões relacionadas com as acessibilidades e redes de apoio ao hospital encontra-se encaminhada, permanecendo apenas o problema relacionado com o IMT.

«Resta a questão do IMT e a questão do IMT é uma questão que daria um livro quase kafkiano», afirmou o presidente da autarquia, acrescentando que já reuniu com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, para expor o problema.

De acordo com o autarca, a situação prende-se com a necessidade de desclassificar cerca de 300 metros da EN114 para permitir a construção da rotunda de acesso à futura unidade hospitalar.

«Cheguei ao topo e entreguei ao senhor ministro das Infraestruturas o quadro, a situação, a circunstância e porque é que não é desclassificado», referiu, acrescentando que o governante considerou que o processo «não faz nenhum sentido» e transmitiu a expectativa de desbloqueio rápido da situação.

Apesar disso, Carlos Zorrinho admitiu que já ouviu garantias semelhantes noutras fases do processo.

«Nós já passámos por vários sítios onde nos disseram o mesmo. Já estamos no topo mesmo», disse.

Autarquia garante coordenação operacional

Na intervenção, o presidente da Câmara explicou que o acordo estabelecido para as acessibilidades prevê que o município assegure a coordenação operacional das obras, enquanto outras entidades ficam responsáveis pelas componentes técnicas específicas.

Segundo Carlos Zorrinho, as questões relacionadas com a ligação elétrica e abastecimento de gás ao hospital estão já resolvidas, apesar de inicialmente não existirem projetos definidos.

«Neste momento sabemos exatamente quem vai fazer, quando é que vai fazer, sob coordenação operacional da autarquia», afirmou.

O autarca revelou ainda que decorrem reuniões técnicas com a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) e com as entidades responsáveis pelas redes, para garantir que as ligações ao hospital ficam concluídas até ao final de 2027 sem impacto significativo no centro histórico da cidade.

«Temos um projeto de construção e timing que permite estas duas coisas: ter o hospital ligado em 2027 e não esventrar a cidade», afirmou.

Zorrinho admite recorrer ao primeiro-ministro

Durante a reunião de Câmara, Carlos Zorrinho deixou também um aviso sobre as consequências de um eventual atraso provocado pela situação do IMT.

O autarca admitiu que poderá recorrer diretamente ao primeiro-ministro caso o bloqueio coloque em risco o calendário da obra e os financiamentos comunitários associados.

«No dia em que a desclassificação prejudicar o calendário, é evidente que eu não terei problema nenhum em ligar ao senhor Primeiro-Ministro», afirmou.

Segundo o presidente da Câmara, o objetivo continua a ser concluir todas as acessibilidades ao Hospital Central do Alentejo até ao final de 2027.

«O hospital não pode ser apenas uma obra de construção civil»

Na mesma intervenção, Carlos Zorrinho defendeu que o Hospital Central do Alentejo deve afirmar-se como um projeto estratégico para a região e não apenas como uma nova infraestrutura física.

«Um hospital central não é uma obra de construção civil», afirmou.

O autarca considerou que o futuro hospital deve estar articulado com a formação académica, investigação e atração de profissionais de saúde, defendendo a criação de um “cluster da saúde” associado à Universidade de Évora e ao futuro curso de Medicina.

«Se o hospital for apenas uma obra de construção civil, será de facto uma obra fantasma», alertou.

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