Pais e alunos da Escola Básica do Chafariz D’El Rei, em Évora, realizaram esta terça-feira uma manifestação à margem da abertura da Feira de São João, reivindicando o regresso ao estabelecimento de ensino, encerrado após a queda de estuque numa sala de aula.
A situação remonta a 14 de novembro, quando caiu estuque numa sala do primeiro piso da escola. Desde então, quatro turmas foram transferidas provisoriamente para a Escola André de Resende, solução que, segundo os pais, se prolongou até ao final do ano letivo e poderá manter-se no próximo.
Inês Frazão, mãe de uma criança e presidente da Associação de Pais, afirmou que a reivindicação é «voltar à nossa escola» e defendeu que a Câmara Municipal de Évora deve resolver os problemas do edifício para permitir o regresso dos alunos.
«Nós estamos a reivindicar que a Câmara faça algo e o algo passa por resolver os problemas que a escola tem no sentido de podermos voltar para lá», afirmou.
Pais dizem que solução provisória se prolongou
Segundo Inês Frazão, a transferência para a Escola André de Resende foi apresentada inicialmente como uma medida temporária, destinada a garantir que as crianças não ficassem sem aulas.
«Foi-nos informado que seria um período de uma semana. Neste momento estamos a acabar o ano letivo e ainda lá continuamos e com perspetivas de lá continuarmos para o próximo ano letivo», declarou.
A presidente da Associação de Pais referiu que as condições atuais não correspondem às necessidades dos alunos, em particular das crianças mais novas e das que têm necessidades educativas especiais.
«Na escola da André de Resende nós não estamos bem», afirmou, explicando que as salas atribuídas às turmas estão dispersas pelo espaço escolar e que «os meninos andam completamente dispersos e emocionalmente estão muito mais instáveis».
Inês Frazão adiantou ainda que estão em causa quatro turmas, incluindo crianças com necessidades educativas especiais, e referiu dificuldades de adaptação ao novo espaço.
«Estavam habituadas àquele espaço de escola que tinham e de repente viram-se numa escola gigante, com meninos muito maiores», disse, acrescentando que «houve inclusivamente algumas avaliações a descerem na maior parte das crianças».
Associação de Pais fala em falta de respostas
A representante dos pais afirmou que já decorreram várias reuniões com o executivo municipal, incluindo encontros em abril e maio, mas considerou que as respostas recebidas não permitiram resolver o problema.
«Foi-nos dito taxativamente que não havia financiamento e que tínhamos que nos aguentar onde estávamos», afirmou.
Inês Frazão referiu, no entanto, que foi contactada na manhã da manifestação com nova informação sobre o processo.
«Hoje de manhã fui contactada e foi-nos dito que realmente as coisas já estavam diferentes e que havia perspetivas das obras começarem, mas sem data ainda marcada», declarou.
A responsável justificou a realização da manifestação com a necessidade de dar visibilidade à situação.
«O modo institucional não está a resultar. Estamos a sentir que realmente as coisas não estão a andar», afirmou, acrescentando que o objetivo foi mostrar à Câmara que pais, alunos e professores «não estão satisfeitos com a situação».
Carlos Zorrinho diz que Câmara procura solução
Questionado sobre a manifestação, o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, afirmou ter compreendido a preocupação dos pais e das crianças.
«Em primeiro lugar gostei de ver o amor das crianças pela sua escola e também a preocupação dos pais», disse.
O autarca associou os danos registados na escola às intempéries e defendeu que o município deveria ter tido apoio do Governo para a recuperação do edifício.
«O Governo deveria ter-nos ajudado a recuperar porque foi claramente uma escola, é uma estrutura que foi danificada pela intempérie», afirmou.
Carlos Zorrinho explicou que a autarquia não dispunha inicialmente de verba na rubrica própria, mas que já avançou com medidas para procurar resolver a situação.
«A Câmara inicialmente não tinha naquela rubrica, porque o Governo não nos deu esse dinheiro, não tinha verba, mas transferiu, fez uma transferência orçamental, abriu um procedimento», declarou.
O presidente da Câmara acrescentou que os pais estão informados sobre o processo e garantiu que a autarquia está a procurar «encontrar uma solução o mais rápido possível».
Reunião com a Associação de Pais deverá ocorrer na próxima semana
Carlos Zorrinho referiu ainda que estava prevista uma reunião com a Associação de Pais, mas que esta não se realizou, ficando o encontro remetido para a próxima semana.
«Para a semana teremos essa reunião e trabalharemos sempre com a Associação de Pais», afirmou.
Sobre a possibilidade de os alunos não iniciarem o próximo ano letivo na Escola do Chafariz D’El Rei, o autarca admitiu a existência de soluções alternativas enquanto decorre o processo.
«Há soluções alternativas enquanto isso não acontece», disse.
Carlos Zorrinho pediu desculpa aos pais e às crianças, garantindo que a componente pedagógica será assegurada.
«Pedimos desculpa aos pais, pedimos desculpa às crianças, mas a qualidade pedagógica vai ficar garantida», afirmou.
A Escola Básica do Chafariz D’El Rei encontra-se encerrada desde novembro, após a queda de estuque numa sala, estando os alunos deslocados para a Escola André de Resende.



















