O deputado socialista Luís Dias tomou posse, a 18 de junho, para um segundo mandato na Assembleia Parlamentar da NATO, onde continuará a representar a Assembleia da República Portuguesa.
Eleito pelo círculo eleitoral de Évora, o parlamentar afirma assumir o cargo com “um sentimento de grande responsabilidade e também de orgulho”, num contexto internacional marcado pela guerra no leste da Europa, pelos conflitos no Médio Oriente e pelos desafios de segurança na região mediterrânica.
Em entrevista ao jornal ODigital.pt, Luís Dias destacou que integra a delegação portuguesa num órgão composto por deputados dos parlamentos dos países da Aliança Atlântica. Portugal está representado por 14 deputados, sete efectivos e sete suplentes.
“Estou num leque de 14 deputados que representam o Parlamento português, sendo sete efectivos e sete suplentes, num órgão que, neste contexto internacional, tem uma importância redobrada”, afirmou.
Representação do Alentejo no debate sobre defesa
Luís Dias considera que a presença na Assembleia Parlamentar da NATO permite acompanhar matérias de defesa e segurança com impacto também no Alentejo.
O deputado recorda que a região concentra unidades militares e sectores industriais ligados à defesa nacional, sublinhando que este trabalho parlamentar permite relacionar o debate internacional com a realidade nacional e regional.
“O Alentejo é um conjunto não só de unidades militares, mas também de unidades industriais que cada vez mais se vão reconverter ou que são exclusivamente motores da indústria de defesa nacional”, referiu.
Para Luís Dias, a participação na Assembleia Parlamentar da NATO permite “acompanhar de uma forma diferente” o impacto da área da defesa na região, aplicando a discussão internacional ao plano nacional e regional.
Mediterrâneo e Médio Oriente entre as áreas de trabalho
Durante o primeiro mandato, Luís Dias integrou o Grupo Especial para o Mediterrâneo e Médio Oriente, área que considera relevante para Portugal e para o Alentejo. O deputado pretende continuar ligado a esse grupo, embora a composição para o novo mandato ainda não esteja totalmente definida.
Segundo o parlamentar, o trabalho desenvolvido incide sobre a análise de ameaças às fronteiras a sul, os movimentos migratórios, os conflitos no Médio Oriente e as consequências para a segurança da zona mediterrânica.
“Trabalhamos duas áreas que qualquer ouvinte perceberá rapidamente: a questão das migrações como factor de ameaça e a análise do impacto das migrações no contexto securitário, mas também as questões dos conflitos latentes no Médio Oriente”, explicou.
Luís Dias referiu ainda os impactos económicos, sociais e culturais associados a estes fenómenos, defendendo uma análise “holística” das matérias discutidas no âmbito parlamentar da NATO.
O que é a Assembleia Parlamentar da NATO?
A Assembleia Parlamentar da NATO reúne deputados dos parlamentos dos países da Aliança Atlântica e funciona como um fórum de debate político, acompanhamento parlamentar e diplomacia parlamentar em matérias de defesa e segurança.
Não se trata de um órgão militar operacional da NATO. A sua função passa por promover o diálogo entre parlamentares, acompanhar os grandes desafios da segurança euro-atlântica e contribuir para aproximar os cidadãos dos objectivos da Aliança Atlântica.
Luís Dias compara o funcionamento deste órgão ao papel de um parlamento perante um governo, na medida em que procura influenciar o poder executivo através do debate político e da cooperação entre representantes dos diferentes países.
“A Assembleia Parlamentar da NATO funciona como um parlamento de todos os países que constituem a Aliança Atlântica, discutindo matérias específicas que têm a ver com a defesa e a segurança da zona euro-atlântica”, afirmou.
Mandato marcado pela diplomacia parlamentar
Para o novo mandato, Luís Dias aponta o diálogo e a cooperação política como prioridades. O deputado considera que a Assembleia Parlamentar da NATO exige capacidade de criar pontes entre países com realidades e interesses distintos.
“Ninguém pode assumir funções num órgão desta natureza sem ir à procura de diálogo, sem ir à procura de equilíbrios, sem ir à procura de uma visão de futuro, de estabilidade”, afirmou.
O deputado sublinhou ainda a importância das relações transatlânticas, num contexto em que diferentes administrações nacionais podem assumir posições distintas sobre o futuro da Aliança Atlântica.
“Temos que perceber também que há muitas sensibilidades num órgão desta natureza”, disse Luís Dias, referindo que a NATO junta países como a Turquia, o Canadá, os Estados Unidos e vários Estados europeus.
Delegação portuguesa integra 14 deputados
A delegação portuguesa na Assembleia Parlamentar da NATO é composta por 14 deputados. Além de Luís Dias, fazem parte deste mandato Hugo Patrício Oliveira, João Veloso da Silva Torres, Marcos Perestrello de Vasconcellos, Pedro Manuel Pessanha, Martim Arnaut Syder, Mariana Vieira da Silva, Bruno Jorge Vitorino, Tiago Barbosa Ribeiro, Sofia Carreira, Paulo César Cavaleiro, Francisco Gomes, Nuno Simões de Melo e Almiro Moreira.
Marcos Perestrello de Vasconcellos foi eleito presidente da Assembleia Parlamentar da NATO, cargo que exercerá até novembro. O deputado socialista, que já foi eleito por Beja na X Legislatura, é o segundo português a presidir ao órgão desde a sua criação, em 1955.
Mandato tem duração de dois anos
O novo mandato de Luís Dias na Assembleia Parlamentar da NATO terá a duração de dois anos. Para o deputado, a presença portuguesa neste órgão assume relevância institucional para o país e para a participação parlamentar no debate internacional sobre defesa e segurança.


















