Santiago do Cacém quer reduzir a sazonalidade turística e atrair visitantes ao longo de todo o ano, apostando na criação de eventos diferenciados e na especialização da oferta hoteleira, afirmou o presidente da Câmara Municipal, Bruno Gonçalves Pereira, em declarações ao Jornal ODigital.pt na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL).
O autarca assumiu como prioridade «atrair turismo todo o ano, ao contrário do que acontece nesta altura», reconhecendo que a maior afluência continua concentrada nos meses de verão. A estratégia passa por reforçar eventos fora da época alta e dinamizar o centro histórico e as diferentes localidades do concelho.
«Queremos intensificar essa parte de retirar a sazonalidade das visitas ao concelho», afirmou, sublinhando que Santiago do Cacém é um território com características distintas, que integra duas cidades, várias vilas e numerosas aldeias, combinando litoral, montado e património urbano.
Eventos diferenciados como motor de atração
Para contrariar a concentração da procura no verão, o município prepara novos eventos ligados à identidade do território. «Temos algumas cartas na manga, como a invenção de novos eventos, eventos muito diferenciados e que tenham a ver com o território», referiu Bruno Gonçalves Pereira.
O presidente destacou a localização estratégica do concelho, a pouco mais de uma hora de Lisboa e do Algarve, e a diversidade de oferta disponível. «Temos oceano, temos montado, temos cidades, vilas», afirmou, defendendo que essa variedade deve estar acessível ao longo de todo o ano.
Ocupação elevada marcada por estadias laborais
Apesar de a taxa de ocupação hoteleira rondar valores elevados, o autarca esclareceu que essa realidade não corresponde apenas ao turismo convencional. «Acabamos por ter uma ocupação hoteleira quase a rondar os 100% o ano todo. E essa ocupação não corresponde às visitas turísticas», explicou.
Segundo Bruno Gonçalves Pereira, a proximidade à zona industrial de Sines faz com que muitos trabalhadores deslocados permaneçam no concelho durante longos períodos, o que influencia as estatísticas.
O desafio passa, por isso, por diferenciar a oferta. «Só pelo aumento da oferta e a especialização de oferta mais pró laboral, mais para o turista convencional é que vamos ter essa hipótese de dar a resposta que queremos dar», afirmou.
Margem de crescimento e novos investimentos
O presidente confirmou que existem quatro ou cinco unidades hoteleiras previstas para avançar, embora sublinhe a necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade.
«Há um equilíbrio entre a sustentabilidade e o desenvolvimento», declarou, garantindo que o concelho ainda tem margem para crescer no setor. «Tem bastante oferta e muita. Felizmente estamos numa fase em que não ficaremos saturados tão cedo», concluiu.
Com presença na BTL, Santiago do Cacém reforçou assim a intenção de consolidar o turismo como vetor estruturante, apostando numa oferta diversificada e distribuída ao longo de todo o ano.



















