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Universidade de Évora integra projeto artístico-científico da Évora_27 sobre parasitas e fungos

A Universidade de Évora é parceira do projeto «Parasitas e Fungos: Fábulas para uma Nova Era», integrado na programação da Évora_27 – Capital Europeia da Cultura. A iniciativa cruza ciência, literatura e performance artística, promovendo novas abordagens à relação entre seres humanos, natureza e território.

A Universidade de Évora é parceira do projeto «Parasitas e Fungos: Fábulas para uma Nova Era», integrado na programação da Évora_27 – Capital Europeia da Cultura. A iniciativa cruza ciência, literatura e performance artística, promovendo novas abordagens à relação entre seres humanos, natureza e território.

A participação da Universidade concretiza-se através do envolvimento de Celeste Santos e Silva, docente do Departamento de Biologia, e de Ludovina Neto Padre, docente do Departamento de Medicina Veterinária, responsáveis pelo enquadramento científico do projeto, em colaboração com a Associação Cultural É Neste País, entidade promotora. Ambas as docentes integram o Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) da Universidade de Évora.

Residências de criação juntam ciência e narrativa

No centro do projeto estão as Residências de Criação de Fábulas, que reuniram contadores e escritores de vários países para desenvolver narrativas inspiradas em parasitas e fungos, organismos com papel relevante no equilíbrio dos ecossistemas. O trabalho desenvolvido culminou, a 25 de janeiro, numa apresentação pública no Salão Central Eborense, onde foram partilhados os primeiros resultados com a comunidade.

Segundo Celeste Santos e Silva, o projeto constitui «uma ponte inovadora entre a arte do storytelling e a ciência», utilizando a biologia de parasitas e fungos como metáfora para refletir sobre cooperação, interdependência e coexistência. A docente sublinha que estas abordagens se alinham com o conceito de «Vagar», eixo central da candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura.

Universidade de Évora como âncora científica

A investigadora destaca ainda o papel da Universidade de Évora enquanto estrutura científica do projeto, explicando que a missão passa por «traduzir conceitos biológicos complexos — como o mutualismo, a simbiose ou o parasitismo — em metáforas acessíveis, sem perder o rigor científico». Para Celeste Santos e Silva, este diálogo demonstra a capacidade da academia em promover abordagens transdisciplinares e projetar conhecimento local num contexto cultural europeu.

Também Ludovina Neto Padre salienta a importância da integração da ciência no contexto cultural da Évora_27. «Desde o início da candidatura ficou claro que a cultura científica tinha de estar presente», refere, acrescentando que o projeto resulta desse diálogo entre áreas distintas.

Contacto direto com a investigação científica

No âmbito das residências, Ludovina Neto Padre acompanhou os participantes através de visitas, sessões práticas e momentos de contacto com materiais científicos, incluindo a observação de parasitas ao microscópio. A docente explica que o contributo da Universidade passa pela desmistificação destes organismos, abordando parasitas e zoonoses parasitárias como exemplos de adaptação e sobrevivência, relevantes para compreender a biodiversidade e a ligação entre saúde humana, animal e ambiental.

Projeto com dimensão internacional e continuidade até abril

Os escritores envolvidos são oriundos de países como Portugal, Angola, Brasil, França, Itália e Espanha. Para Ludovina Neto Padre, esta diversidade cultural permite integrar diferentes referências nas narrativas, mantendo uma base científica comum. A docente destaca ainda os contributos do escritor angolano Ondjaki no desenvolvimento do projeto.

A apresentação pública de 25 de janeiro constituiu um primeiro contacto com estas fábulas contemporâneas. O trabalho criativo prosseguirá até ao final de abril, com a conclusão das histórias, que darão origem a uma publicação em livro e, posteriormente, a um espetáculo itinerante a apresentar em várias localidades do Alentejo, culminando num espetáculo final integrado na programação da Évora_27.

Com esta participação, a Universidade de Évora reforça o seu papel no contexto da Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, associando investigação científica a processos de criação artística e contribuindo para a reflexão sobre sustentabilidade, interdependência e futuro, a partir do conhecimento produzido na academia.

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