O processo de eletrificação da linha ferroviária entre Casa Branca e Beja voltou a sofrer um revés, com a autoridade de gestão do financiamento (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo) a retirar 60 milhões de euros da verba cativada.
Depois de ter 80 milhões destinados para a empreitada, a entidade gestora do Alentejo 2030 retirou agora o referido montante, devido à “falta de maturidade do projeto”, segundo António José Brito, presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), em declarações ao jornal ODigital.pt.
“Entendeu que não fazia sentido manter um volume tão significativo de verba cativada para esse objetivo e aquilo que fez foi reservar apenas 20 milhões de euros”, vincou o também presidente da Câmara Municipal de Castro Verde.
Este contexto, deixou o autarca preocupado, no sentido de que “não temos a certeza de que voltemos a ter os restantes 60 milhões para completar o financiamento do projeto” e isso “causa-nos alguma inquietação”.
Infraestruturas de Portugal responsável por operacionalizar a obra
Assim, destacou que a Infraestruturas de Portugal (IP) é que é a “entidade que vai operacionalizar este investimento, porque é a entidade responsável pela linha ferroviária” e que é quem “tem a responsabilidade de lançar os concursos, depois de fazer os projetos”.
Ainda assim, António José Brito esclareceu que o objetivo da IP, uma conclusão da reunião no passado dia 2 de dezembro, é lançar o concurso “no início de 2026” em três lotes “a executar até 2032”: 1º – Casa Branca/Vila Nova da Baronia; 2º – Vila Nova da Baronia/Cuba; 3º – Cuba/Beja.
No entanto, o presidente frisou que “aquilo que se estima é que só no segundo semestre de 2026 é que haverá aqui possibilidades de adjudicar as obras”.
CCDR garante 20 milhões e promete acompanhar o processo
Já em relação à CCDR, o autarca explicou que “garantiu-nos que disponibiliza os 20 milhões e depois vai acompanhar o processo”. Após esse processo, “está disponível para procurar mais financiamento”.
António José Brito vincou que “estamos há muito tempo à espera deque a eletrificação seja concretizada”, deixado ainda críticas à entidade responsável: “Chegamos a esta fase e ainda a falta de maturidade na execução”.
Para além disso, relevou o facto de que “já há um atraso tão relevante e, afinal, ainda temos um horizonte de, pelo menos, seis anos pela frente”.
Dúvidas sobre prazos e sucessivos adiamentos
Em relação aos prazos apresentados, o presidente não quis ser “pessimista”, mas confessou que tem “dúvidas”, nomeadamente no que diz respeito à previsão de conclusão da obra.
“Já cá ando há muito tempo e tenho visto estes processos sucessivamente adiados, sucessivamente com problemas e sucessivamente com pouca vontade de fazer uma coisa que já devia estar feita há anos”, atirou o autarca.
Baixo Alentejo exige respostas iguais às de outras regiões
António José Brito afirmou também que “aquilo que o Baixo Alentejo exige é o mesmo quadro de respostas que têm outras regiões”, algo que “sentimos que não tem acontecido nos últimos longos anos”.
Desta forma, sublinhou que as autarquias apenas querem “uma resposta rápida”, referindo que o papel da CIMBAL é o de “contribuir para que haja uma solução e que seja célere”.
“Quero ser otimista, mas o horizonte que temos mim preocupa-me e deixa-me de alerta, porque percebo que as coisas deveriam estar noutro ponto de maturidade”, rematou António José Brito.

















