O deputado Gonçalo Valente, eleito pela AD pelo círculo eleitoral de Beja, detalhou a agenda da coligação para o distrito nas propostas ao Orçamento do Estado (OE) de 2026.
O plano assenta em três obras que considera estruturantes: Hospital de Beja, autoestrada A26 e eletrificação ferroviária.
Em declarações a’ODigital.pt, o parlamentar afirmou que são “investimentos de maior dimensão” há muitos anos reclamados pela região. Disse que se trata de “reivindicações antigas, com toda a justiça”, que a AD quer finalmente transformar em realidade.
Gonaço Valente defendeu que estes três projetos formam “o principal eixo de desenvolvimento socioeconómico do Baixo Alentejo”, sublinahdo que nenhum é “acessório”.
“Todos são importantes e o que os torna ainda mais necessários é serem executados em simultâneo”, frisou ainda.
Saúde: Hospital de Beja é prioridade “nacional, regional e local”
Entre as propostas para 2026, a reabilitação do Hospital de Beja surge no topo. Gonçalo Valente assegurou que o processo já entrou numa fase “mais adiantada”.
O deputado revelou existir despacho da ministra da Saúde para constituir o júri do concurso do projeto de arquitetura. Recordou ainda uma visita recente da governante à unidade, onde “deixou claro que era uma urgência executarmos essa empreitada”.
Gonçalo Valente acrescentou que já foi aprovada verba para iniciar obras nas urgências, o que considera uma medida “essencial” para “anteciparmos etapas e iniciarmos já uma requalificação”, explicou.
Hospital privado pode reforçar o SNS
Questionado sobre o futuro hospital privado em Beja, o deputado rejeitou qualquer perda de prioridade do público: “Não tem nem por sombras, até vem até acelerar a urgência da requalificação do hospital público”.
Na perspetiva do deputado, uma nova unidade privada pode ajudar a fixar médicos, uma vez que se cria “uma sinergia importante entre público e privado”.
Gonçalo Valente acredita que, depois de virem para Beja, muitos profissionais terão interesse em trabalhar também no SNS, memso que “a dificuldade é virem para cá”. “A partir do momento em que já cá estão, torna tudo muito mais fácil”, sublinhou ainda.
Mobilidade: A26 é “a prioridade das grandes prioridades”
A ligação de Beja à autoestrada volta a ser uma bandeira central da AD no OE de 2026. Gonçalo Valente recordou que a A26 já foi aprovada em Conselho de Ministros e disse haver condições para avançar para concurso.
“A nossa expectativa é abrir o concurso no segundo semestre de 2026, ou no limite início de 2027”, atirou.
O deputado quer ver a obra concluída dentro do atual ciclo governativo, até porque “quatro anos é tempo suficiente para termos a autoestrada feita, ou pelo menos numa fase adiantada”, garantiu.
Gonçalo Valente insistiu no impacto direto para a economia local, porque “uma autoestrada vai encurtar distâncias face aos grandes centros urbanos”, apontando a Lisboa e ao Algarve.
Assim, referiu que quer Beja a pouco mais de uma hora da capital e isso, defendeu, “cria muitas oportunidades de trabalho e de negócio”.
Ferrovia: eletrificação Casa Branca–Beja com 80 milhões alocados
A ferrovia fecha o trio de prioridades assumidas pela AD. O deputado confirmou que estão alocados 80 milhões de euros para a eletrificação da linha entre Casa Branca e Beja, tratando-se de um investimento plurianual, pois “esses 80 milhões não são para ser investidos num só ano”, explicou.
Face aos atrasos no Portugal 2030, Gonçalo Valente admitiu preocupação com a perda de financiamento comunitário, mas afastou qualquer risco de abandono: “Há outros instrumentos financeiros que podem fazer face aos investimentos”.
“O que nos interessa é que a verba esteja disponível para a execução da obra e essa verba está disponível”, frisou, assegurando compromisso do Governo com o projeto
Estradas, regadio e medidas fiscais também entram no pacote
Além dos três pilares, Gonçalo Valente destacou obras rodoviárias que “já estão no terreno”. Referiu a requalificação do troço Almodôvar–Mértola, retomada após suspensão anterior. Apontou também o concurso para a estrada Mértola–Serpa.
No regadio, o deputado diz estar a pressionar para avançar o Bloco de Rega da Póvoa/Amareleja. O projeto integra o programa Água que Une, mas ainda “estamos à procura de verba para iniciar a construção”, explicou.
Gonçalo Valente mencionou ainda a redução do IVA para carnes de caça, já aprovada, que considera que foi “uma reparação de uma injustiça”.
Relação com autarquias: apelo à união reivindicativa
Sobre a articulação política no território, Gonçalo Valente deixou críticas ao passado recente. Disse que durante anos o Baixo Alentejo teve maioria autárquica socialista e dois deputados, “sem qualquer benefício prático” e que considera que houve “subserviência ao poder central” e que a região “ficou para trás”.
O deputado afirmou que o quadro político mudou, com um representante da AD e duas autarquias da coligação, referindo um “reforço de poder reivindicativo” para Beja.
Gonçalo Valente apelou assim a uma frente comum regional, onde “todos são bem-vindos para, de forma responsável, exigir ao Governo aquilo que necessitamos”.
O deputado concluiu dizendo que o distrito vive uma janela rara de oportunidade, onde “como nunca, o Baixo Alentejo está a ser olhado de outra forma”, disse, rematando com um aviso ao Governo: Estes investimentos “são para ontem e não podem voltar a ficar esquecidos”.

















