O deputado António Carneiro, eleito pelo Chega pelo círculo eleitoral de Beja, revelou as principais propostas que o partido apresentou para o Orçamento do Estado de 2026, centradas em acessibilidades, agricultura e ambiente.
Em declarações a’ODigital.pt, o deputado destacou que a região “é uma zona de baixa densidade populacional” e que necessita de medidas estruturais para fixar pessoas, criar emprego e atrair investimento.
Sublinhou ainda que o distrito “tem sido esquecido ao longo dos anos” e que é urgente “melhorar infraestruturas fundamentais”.
Acessibilidades: IP8, IP2 e ligação a Vila Verde de Ficalho
Um dos eixos centrais das propostas do Chega é o reforço das acessibilidades rodoviárias. António Carneiro defendeu a continuação e modernização do IP8 até Vila Nova de Ficalho e o melhoramento do IP2, considerando estas vias “essenciais para atrair empresas e facilitar o escoamento de produtos”.
Nesse sentido, o deputado vincou que essas empresas poderiam influenciar também na “atração de pessoas” e que, assim, haveria melhores condições de “trabalho, economia e emprego”.
“Havendo mais pessoas, as próprias empresas vão aumentar a sua produtividade e fortalecer as condições de vida dos trabalhadores. Para que isso aconteceça, é fundamental que haja boas infraestruturas”, acrescentou.
O deputado alertou ainda para o risco de novos melhoramentos servirem de “desculpa” do Governo para adiar a conclusão prevista da A26, um investimento que o partido considera “fundamental”.
“O distrito já é muito esquecido ao longo dos anos e precisa de ser apoiado. Na questão do dinheiro e da enconomia, o Governo não pode estar a pensar nisso, porque todos nós somos contribuintes”, disse ainda.
Portagens na A2 e A6? “Abolição”
O Chega propõe igualmente a eliminação das portagens na A2 e na A6. António Carneiro sublinhou que estas autoestradas servem zonas já fragilizadas e que “não faz sentido penalizar ainda mais quem vive e trabalha no interior”.
Para o deputado, esta seria uma medida decisiva para melhorar a mobilidade e a competitividade económica do distrito.
Aeroporto de Beja: aposta num sistema intermodal
Outra das propostas é a criação de um sistema intermodal para o Aeroporto de Beja. António Carneiro argumentou que melhores acessos “vão aumentar o interesse das empresas” e permitir que passageiros estejam rapidamente ligados à capital.
“Vai fazer com que as empresas tenham todo o interesse em aterrar em Beja, porque depois os seus passageiros rapidamente estão numa grande cidade”, destacou o deputado, dizendo ainda que “esses voos também podem ficar e serem distribuidos pela nossa economia local”, através da hotelaria, gastronomia e oferta turística.
Ferrovia: electrificação urgente
O deputado classificou como “prioritária” e “atrasada” a electrificação da linha ferroviária entre Casa Branca e Beja. Desta forma, considerou que a já antiga reivindicação, para além da moderna, é uma medida “ambiental”.
O facto de ser uma reivindicação antigo também não passou em claro pelo deputado. Afirmou que, com antigos autarcas dos “partidos do Governo”, mesmo assim “não chegava” aos ouvidos do Parlamento: “Por isso é que é preciso ter voz e que não nos calemos”.
Para além disso, defendeu ainda que a eletrificação deveria “ir até à Funcheira”, no concelho de Ourique, até para “ser uma alternativa se houver algum problema na linha do Alentejo”.
Agricultura: blocos de rega e apoio aos pequenos produtores
Entre as propostas para o setor agrícola, destaca-se a criação do bloco de rega de Vila Nova de São Bento, abrangendo centenas de hectares e beneficiando pequenos agricultores.
António Carneiro admite que outros blocos, como o da Póvoa de São Miguel e Amareleja, também devem avançar, ainda que em fases distintas.
Ambiente: controlo da expansão solar no Alentejo
António Carneiro revelou também uma proposta de delimitação de zonas para instalação de painéis solares. O objetivo é evitar o “impacto visual na paisagem”, para além de “não permitir que que se faça cultivo das zonas onde estão implementados”.
Desta forma, o deputado sublinhou que teria de ser uma proposta que envolveria estudos “in loco“, até para que as futuras centrais solares “sejam colocadas em solos que sejam menos produtivos para a agricultura”
Relação com os autarcas e compromisso com a região
O deputado afirmou que irá reunir com todos os presidentes de Câmara do distrito após a aprovação do Orçamento, independentemente da filiação partidária, sublinhando que “foi eleito para defender todos os alentejanos”.

















