A Associação Portuguesa de Enoturismo (APENO) divulgou o relatório «Pensar o Enoturismo: A Realidade do Enoturismo em Portugal», no qual identifica os principais entraves ao desenvolvimento do setor e apresenta propostas para a sua valorização e crescimento sustentável.
Desde a sua fundação, em 2020, a APENO tem trabalhado para estruturar e profissionalizar o enoturismo, atividade que, segundo estimativas da associação, movimenta cerca de 800 milhões de euros por ano, envolve 40 mil agentes económicos e gera 100 mil postos de trabalho.
O relatório destaca três problemas estruturais que têm dificultado a evolução do enoturismo em Portugal. O primeiro é a ausência de uma definição oficial para o conceito de enoturismo, o que compromete a uniformização e reconhecimento da atividade. A APENO propõe um conceito abrangente que inclui não apenas as experiências tradicionais em adegas e vinhas, mas também atividades urbanas, como jantares vínicos e eventos temáticos em hotéis e restaurantes. Este alargamento reflete a diversidade da oferta e a necessidade de uma visão global do setor.
O segundo entrave é a inexistência de uma classificação económica própria (CAE) para o enoturismo. Sem esta categorização, torna-se difícil quantificar o impacto económico da atividade e garantir o acesso a apoios específicos e incentivos. Apesar das diligências realizadas junto do Instituto Nacional de Estatística (INE), a proposta para a criação de uma sub-CAE foi recusada, sob o argumento de que o enoturismo abrange atividades distribuídas por várias divisões da classificação económica atual. Como alternativa, a APENO sugere a criação de um registo específico semelhante ao RNAAT (Registo Nacional de Agentes de Animação Turística), que permitiria organizar e monitorizar o setor.
Por fim, o terceiro desafio apontado é a carência de legislação específica. A APENO sublinha que a regulamentação do setor é essencial para garantir qualidade e parâmetros claros, permitindo a profissionalização das empresas e a confiança dos consumidores. O relatório propõe a adoção de um modelo legislativo inspirado na legislação implementada em regiões italianas como Trento e Bolzano, que regulamentaram o enoturismo em 2019.
Apesar dos desafios, a APENO tem apostado em projetos para impulsionar o enoturismo em Portugal e no estrangeiro. Entre as iniciativas destacam-se o lançamento da plataforma digital WineTourism.TV, em outubro de 2023, que promove o enoturismo nacional em mercados internacionais com conteúdos legendados em inglês; a criação do Guia do Enoturismo de Portugal, em parceria com a editora Penguin Random House, previsto para fevereiro de 2025, e que será publicado em português e inglês; e o desenvolvimento da WineTourism Magazine, uma revista bilingue que será distribuída em hotéis de luxo e eventos internacionais.
Além disso, a APENO mantém uma aposta estratégica na comunicação e internacionalização, através de parcerias com entidades regionais e com os gabinetes da AICEP, visando posicionar o enoturismo português como uma referência global.
O relatório conclui que a resolução dos entraves identificados depende agora da vontade política. A APENO apela ao Governo para que reconheça o enoturismo como uma atividade estratégica para o turismo e a economia nacional, reforçando a necessidade de medidas concretas como a regulamentação do setor e a criação de mecanismos que facilitem a sua monitorização e promoção.
Entretanto, a associação continuará a trabalhar na formação de recursos humanos, na realização de estudos nacionais sobre o enoturismo e na quantificação da oferta existente. O objetivo é claro: consolidar Portugal como um destino de excelência para o enoturismo, valorizando a riqueza cultural e económica do setor.



















