O presidente da Câmara de Castelo de Vide, distrito de Portalegre, disse que pretende avançar para a construção da segunda fase da Casa da Cidadania Salgueiro Maia, para dotar o espaço de uma área social.
De acordo com o presidente do município, António Pita, a autarquia quer também avançar com trabalhos de reabilitação nas muralhas do castelo da vila, que se encontram num estado “muito preocupante”.
António Pita falava na cerimónia de inauguração do Museu Garcia de Orta, em Castelo de Vide, na presença da ministra da Cultura, Dalila Rodrigues. O espaço albergava umas antigas termas e foi reabilitado com um investimento de 1,5 milhões de euros.
Para avançar com a segunda fase das obras na Casa da Cidadania Salgueiro Maia, no interior do castelo, é necessário, segundo o autarca, que o Estado efetue um auto de transferência para que o município possa ser o responsável da obra.
Este projeto envolve “um consórcio” que conta ainda com os municípios de Santarém e, no distrito de Évora, Estremoz (componente militar) e Vendas Novas.
“Nós assumimos a contrapartida nacional, mas acontece que o património é do Estado e, portanto, há que existir um auto de transferência para que o município seja o dono da obra”, disse.
Em declarações à agência Lusa após a inauguração do Museu Garcia de Orta, António Pita explicou que a segunda fase da Casa da Cidadania contempla a criação de salas de exposições, biblioteca especializada, ‘merchandising’ e esplanada, entre outras intervenções.
“É muito importante fazer a conclusão deste projeto, até porque esta intervenção iria permitir resolver problemas estruturais ao nível da conservação destas muralhas que neste momento estão afetas ao Estado”, disse.
Questionado sobre o custo da obra, o autarca indicou que “ainda não está definido”.
Em 01 de julho de 2021, foi inaugurada naquela vila alentejana pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a Casa da Cidadania Salgueiro Maia, um investimento de três milhões de euros.
O espaço acolhe várias peças de Salgueiro Maia, entre as quais o conhecido megafone com que, em 25 de abril de 1974, no Largo do Carmo, em Lisboa, o então capitão intimou Marcello Caetano a render-se.
Em relação ao Museu Garcia de Orta, a ministra da Cultura destacou o papel do médico e botânico, tendo ainda assinalado o percurso do concelho na valorização do património histórico e cultural.
“Castelo de Vide tem sido um exemplo de excelência do modo como analisa e valoriza e põe em ação ações de valorização de um património. Hoje estamos aqui para celebrar o legado de Garcia de Orta e, fundamentalmente, para reconhecer com muita gratidão o trabalho exemplar que ao nível deste município tem sido feito”, disse Dalila Rodrigues.
Também em declarações à Lusa, António Pita considerou que o museu reforça a oferta cultural numa altura em que o concelho se apresenta “muito forte” no segmento de turismo do património judaico.
Garcia de Orta nasceu em 1501, em Castelo de Vide, tendo os seus pais sido expulsos de Espanha em 1942 pelos reis católicos por serem judeus.
O médico e botânico foi o autor do livro “Colóquios dos Simples e Drogas e Coisas Medicinais da Índia”.
Em 1568, morreu de sífilis, em Goa, e, embora nunca tenha tido diretamente problemas com a Inquisição, em 04 de dezembro de 1580 os seus ossos foram desenterrados e queimados em auto de fé juntamente com exemplares de um livro que escreveu.



















