Foi inaugurada, esta segunda-feira, a escultura “Memorial Vigília da Capela do Rato”, da artista plástica Cristina Ataíde. Uma escultura em Mármore de Vila Viçosa.
A escultura foi inaugurada no Jardim das Amoreiras, em Lisboa, no âmbito das comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril.
Trata-se de uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa e da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril que presta homenagem à vigília de protesto de um grupo de católicos progressistas que, nos dias 30 e 31 de dezembro de 1972, se reuniram na Capela do Rato, assumindo uma posição contra a Guerra Colonial e a ditadura do Estado Novo.
Uma obra da escultora Cristina Ataide, executada com mármore proveniente da pedreira da Vigaria – SOLUBEMA/ ETMA. Um projeto que contou com o apoio do Município de Vila Viçosa.
A cerimónia contou com a presença do Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, do Presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, do Vice-Presidente Tiago Salgueiro e de Francis Kezirian, em representação da SOLUBEMA/ETMA. Estiveram ainda presentes a presidente da Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril, Maria Inácia Rezola, a artista plástica Cristina Ataíde e o presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Vasco Morgado.
“Através deste ‘Memorial Vigília da Capela do Rato’, o Município de Lisboa homenageia o grupo de pessoas e anónimos que participaram na vigília e deixa o legado da memória do acontecimento político que também contribuiu para a implementação da democracia”, afirma a autarquia Lisboeta.
A escultura – que tem por base o percurso entre a Calçada Bento da Rocha Cabral, onde fica localizada a Capela do Rato, e o Jardim das Amoreiras – “tem um corpo central, constituído por dois muretes em mármore de Vila Viçosa que criam uma passagem estreita e afunilada”, explica Cristina Ataíde, especificando que “são dois muros fortes, mas já inclinados, simbolizando o poder repressor estabelecido, mas já em queda”.
“Os êmbolos em aço inoxidável remetem para as forças populares que empurram esses poderes e os tentam afastar, empurrar, derrotar, criando a desejada liberdade”, acrescenta a artista, notando ainda que as palavras gravadas no mármore são as “palavras ditas durante a vigília”, que importa relembrar: “Paz, Liberdade, Direitos, Mudança”.
Cristina Ataíde deixa ainda o desafio de percorrer a escultura “interagindo com ela”.
A vigília de dezembro de 1972 é considerada um dos momentos marcantes da oposição dos católicos progressistas ao regime que viria a ser derrubado menos de dois anos depois, com a revolução do 25 de Abril.
Estes católicos progressistas eram uma oposição não organizada que tinha várias tendências, uma mais moderada, era representada por deputados da chamada Ala Liberal da Assembleia Nacional, entre os quais Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e João Miller Guerra, e surgiu em 1969, após as primeiras eleições do tempo de Marcello Caetano como chefe do Governo.
A outra era constituída por um grupo mais radical, que queria fazer ações que estavam fora da possibilidade legal de oposição ao regime.
O economista Francisco Pereira de Moura, o arquiteto Nuno Teotónio Pereira, e os ainda estudantes José Luís Galamba de Oliveira, Francisco Louçã e Jorge Wemans contam-se entre os participantes na vigília, alguns deles detidos pela polícia, no dia 31 de dezembro, e enviados para os calabouços do Governo Civil.
































