O projeto Radar Social identificou 363 situações de vulnerabilidade no concelho de Ourique entre dezembro de 2024 e junho de 2026. O isolamento e a solidão estiveram na origem de 65% das sinalizações, segundo dados divulgados pelo município.
A maioria dos casos foi detetada durante as visitas domiciliárias realizadas no âmbito dos Censos Sénior, numa intervenção articulada com a Guarda Nacional Republicana (GNR). O trabalho permitiu contactar idosos que vivem sozinhos ou em locais isolados e avaliar as respetivas condições habitacionais, necessidades de saúde, redes de apoio e fatores de risco.
As situações identificadas foram avaliadas e encaminhadas para o Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social, para o Gabinete de Ação Social do município ou para entidades parceiras da Rede Social, de acordo com as necessidades verificadas.
“Este projeto permitiu conhecer melhor a realidade social do concelho e reforçou a nossa responsabilidade de agir perante cada situação identificada”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Ourique, Marcelo Guerreiro.
Sinalizações superaram a meta inicial do projeto
O Radar Social iniciou a atividade em dezembro de 2024, com uma equipa constituída por duas técnicas da área social. A intervenção procurou identificar pessoas, famílias e grupos em situação de vulnerabilidade, risco de pobreza ou exclusão social, através do contacto direto com a população e da cooperação com as entidades locais.
A meta inicialmente estabelecida previa a identificação de 70 situações, mas o número de sinalizações atingiu as 363. De acordo com a autarquia, o aumento deveu-se sobretudo ao alargamento do trabalho no terreno através dos Censos Sénior.
O município esclarece que o número de casos identificados resulta de uma maior capacidade de sinalização e não representa, por si só, um agravamento das condições sociais no concelho.
Depois do isolamento e da solidão, que representaram 65% dos motivos de sinalização, surgem os problemas relacionados com a saúde, responsáveis por 18% dos casos. As restantes formas de vulnerabilidade social corresponderam a 17%.
GNR e entidades parceiras estiveram na origem de metade dos casos
Metade das situações foi sinalizada por entidades parceiras, incluindo a GNR. Os vizinhos ou pessoas conhecidas estiveram na origem de 40% dos casos identificados.
As restantes sinalizações tiveram outras origens, numa percentagem de 9,6%, enquanto 0,4% foram efetuadas de forma anónima.
“Este resultado só foi possível graças ao trabalho conjunto entre a equipa do Radar Social, a GNR, as juntas de freguesia e as restantes entidades da Rede Social”, referiu Marcelo Guerreiro.
O autarca acrescentou que “uma sinalização é apenas o primeiro passo” e que o objetivo passa por “avaliar cada situação e mobilizar a resposta necessária”.
“No centro deste trabalho estão as pessoas e a responsabilidade coletiva de não deixar ninguém sem apoio”, declarou.
Município mantém acompanhamento após fim do financiamento
Durante o período de execução foram também promovidas 29 sessões de divulgação junto da população e das entidades parceiras.
O projeto permitiu ainda atualizar os instrumentos de planeamento social do concelho e reforçar a articulação entre a Câmara de Ourique, as juntas de freguesia, a GNR, as instituições particulares de solidariedade social, o Centro de Saúde, o Agrupamento de Escolas, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e os restantes membros da Rede Social.
O Radar Social representou um investimento de 150.468,65 euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, através da componente destinada às respostas sociais, no âmbito da Estratégia Nacional de Combate à Pobreza.
O financiamento terminou no dia 30 de junho de 2026. A Câmara Municipal de Ourique indica, contudo, que o acompanhamento das situações identificadas continuará a ser assegurado pelo Gabinete de Ação Social e pelo Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social.



















