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Makers de Évora ajudam a produzir cadeiras de rodas em 3D e uma das primeiras foi entregue na cidade

Projeto nacional junta voluntários de várias zonas do país e já entregou uma das primeiras cadeiras de rodas impressas em 3D na cidade de Évora.

Makers de Évora participam no projeto nacional “3D com Propósito”, uma rede de voluntários que produz cadeiras de rodas através de impressão 3D para crianças com necessidades de mobilidade, tendo uma das primeiras cadeiras produzidas no âmbito da iniciativa sido entregue na cidade.

O projeto junta voluntários de várias zonas do país, que disponibilizam tempo, equipamento e material para imprimir as peças necessárias à construção das cadeiras. Em Évora, a iniciativa conta com a participação de makers locais, entre os quais Henrique Varela, da ArtLayer 3D.

Segundo Henrique Varela, da ArtLayer 3D, em dclarações ao jornal ODigital.pt, o projeto tem como objetivo produzir cadeiras para crianças “entre o ano e meio e os oito anos”, de forma “completamente gratuita”, onde cada voluntário pode participar através da impressão de peças, que são depois reunidas e montadas para entrega às crianças beneficiárias.

Projeto nasceu a partir de uma comunidade de impressão 3D

O conceito das cadeiras impressas em 3D teve origem nos Estados Unidos, através da organização MakeGood, que desenvolveu o modelo e o disponibilizou para utilização por voluntários em vários países.

Em Portugal, a iniciativa começou a ganhar forma através da comunidade ligada à Smart 3D, empresa sediada em Anadia. Henrique Varela explica que tudo começou numa conversa entre membros da comunidade, numa plataforma online, onde surgiu a proposta de avançar com a produção destas cadeiras no país.

“Inicialmente começou só na plataforma Discord”, recorda, referindo que o grupo começou com cerca de 50 pessoas. Atualmente, segundo o responsável da ArtLayer 3D, o projeto conta já com cerca de 285 voluntários inscritos.

A coordenação é assegurada por uma equipa de voluntários, com apoio da Smart 3D. A montagem das cadeiras tem sido realizada na sede da empresa, depois de as várias peças serem produzidas por participantes de diferentes zonas do país.

Uma das primeiras cadeiras foi entregue em Évora

Uma das primeiras cadeiras produzidas no âmbito do projeto “3D com Propósito” foi entregue em Évora, numa fase inicial da iniciativa em Portugal. Segundo Henrique Varela, da ArtLayer 3D, a escolha da cidade esteve relacionada com a identificação local de uma necessidade concreta e com o envolvimento de makers que conheciam a situação.

“Como estávamos a começar, queríamos começar por pessoas que realmente soubéssemos que precisavam”, afirma Henrique Varela, explicando que o caso de Évora surgiu através de contactos locais.

O maker refere que, nesta fase inicial, a rede procurou sinalizar situações em diferentes zonas do país, de forma a testar a resposta do projeto e garantir que as primeiras cadeiras chegavam a crianças que poderiam beneficiar deste apoio. “Nós já tínhamos encontrado uma pessoa para a zona de Lisboa, uma pessoa para Ovar, mais para o Norte, e depois surgiu este contacto”, recorda.

No caso de Évora, Henrique Varela explica que a necessidade era conhecida por voluntários locais ligados à impressão 3D. “Foi um caso que tanto eu como o outro rapaz que também ajudou a fazer peças conhecíamos”, refere.

A cadeira entregue na cidade passou a ter uma utilização prática no dia a dia, sobretudo em contexto escolar. Segundo Henrique Varela, o equipamento permite facilitar a deslocação da criança entre diferentes espaços, evitando que esse transporte tenha de ser feito sempre ao colo.

“Conseguem levar para a mesa, conseguem levar para a zona de brincadeira, conseguem levar para a zona de refeição”, afirma o responsável da ArtLayer 3D, acrescentando que a cadeira permite que a criança esteja “muito mais segura”.

Além de Évora, o projeto já entregou cadeiras noutras zonas do país. À data da entrevista, tinham sido concluídas três entregas: uma em Évora, uma na região de Lisboa e outra em Ovar. Henrique Varela adiantou ainda que existem mais cinco cadeiras atribuídas e em preparação.

Cada cadeira exige cerca de 400 horas de impressão

A produção de cada cadeira é feita de forma distribuída. Cada voluntário recebe uma peça ou conjunto de peças para imprimir, que depois são reunidas para a montagem final.

Henrique Varela explica que cada cadeira é composta por 24 impressões, não correspondendo necessariamente a 24 peças finais. Cada impressão pode demorar entre duas a 12 horas, dependendo da dimensão e complexidade.

“No total, cada cadeira demora cerca de 400 horas de impressão”, refere. A produção exige ainda cerca de oito quilos de filamento plástico.

Depois da impressão, é necessária a montagem. No caso das primeiras três cadeiras, Henrique Varela adianta que participaram cerca de dez voluntários nessa fase, num processo que ocupou aproximadamente um dia.

Projeto não aceita donativos monetários nesta fase

Apesar de o site do projeto “3D com Propósito” prever uma área dedicada a formas de ajuda, Henrique Varela esclarece que a opção de donativos monetários está atualmente desativada. A decisão foi tomada para evitar interpretações erradas sobre a natureza da iniciativa, que assenta no trabalho voluntário de makers de várias zonas do país.

“Isto foi pensado logo desde o início. As pessoas que não tivessem impressoras podiam fazer um donativo monetário para ajudar com filamentos, envios ou montagem. Mas, neste momento, esse campo está completamente desativado”, explica o responsável da ArtLayer 3D.

Henrique Varela adianta que a decisão pretende impedir qualquer associação da iniciativa a fins lucrativos, sobretudo pelo facto de o projeto contar com o apoio da Smart 3D, empresa da área da impressão 3D sediada em Anadia.

“Não queremos criar uma conotação de que estamos a ganhar qualquer dinheiro”, afirma, acrescentando que também se procurou evitar a perceção de eventuais conflitos de interesse.

Por esse motivo, a participação no projeto é feita sobretudo através da produção direta de peças. “Preferimos não haver qualquer tipo de donativo. Quem quiser fazer, imprime diretamente as peças”, sublinha Henrique Varela.

O projeto funciona, assim, através de uma rede de voluntários que disponibilizam impressoras 3D, tempo e material para produzir os componentes das cadeiras, que são depois reunidos para montagem e entrega às crianças beneficiárias.

Primeira meta passa por 14 cadeiras

O “3D com Propósito” tem já novas cadeiras atribuídas. Henrique Varela refere que, além das três já entregues, existem mais cinco em preparação.

O primeiro objetivo identificado pelo projeto é chegar às 14 cadeiras, número que corresponde, segundo o maker, aos casos já sinalizados ou em processo de avaliação pela equipa responsável.

Henrique Varela considera que a divulgação da iniciativa pode ajudar a chegar a mais famílias. “Inicialmente achávamos que isto era um campo em que se calhar não havia muita necessidade em Portugal e cada vez mais vemos que, afinal, há esta necessidade”, afirma.

A participação de makers de Évora integra, assim, uma rede nacional de produção voluntária que utiliza a impressão 3D para criar soluções de mobilidade destinadas a crianças.

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