O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Henrique Sim Sim, responsável pelo pelouro da Cultura, defende a necessidade de compreender as razões que levam a região a apresentar um número reduzido de projetos aprovados nos programas de financiamento da Direção-Geral das Artes (DGARTES). Em declarações ao Jornal ODigital.pt, o responsável apontou a baixa densidade populacional, a falta de parceiros institucionais e as características dos projetos culturais como fatores que podem condicionar o acesso aos apoios.
Henrique Sim Sim revelou que já abordou esta situação numa conversa com responsáveis da DGARTES, procurando identificar os motivos que estão na origem da reduzida representação do Alentejo entre os projetos financiados.
«Foi uma conversa que tivemos no sentido de perceber porque é que temos poucos projetos aprovados», esclareceu, acrescentando que importa determinar se esta realidade resulta de um menor número de candidaturas ou da dimensão e capacidade dos projetos apresentados.
«Se é porque existem menos candidaturas? Se é porque as candidaturas não têm escala e robustez? É preciso compreender porquê», afirmou.
O vice-presidente da CCDR Alentejo considera que o financiamento público constitui um instrumento para o desenvolvimento da atividade artística regional, defendendo que o território deve reforçar a sua presença nos programas nacionais de apoio às artes.
«Eu quero muito que o Alentejo se afirme a nível cultural. É esse o meu desígnio», declarou, sublinhando a intenção de promover o reconhecimento da região também através dos projetos artísticos desenvolvidos pelos seus agentes culturais.
Baixa densidade populacional e falta de parceiros condicionam projetos culturais
Questionado pelo ODigital.pt sobre os motivos que poderão explicar o reduzido número de projetos apoiados, Henrique Sim Sim destacou as características demográficas e institucionais do Alentejo.
«É um território que tem uma densidade demográfica menor. Temos também menos parceiros institucionais que possam apoiar as artes», afirmou, lembrando que muitos dos projetos culturais dependem de mecanismos de cofinanciamento.
O responsável considera ainda que os critérios utilizados na avaliação das candidaturas devem ser analisados à luz das características de cada território, nomeadamente no que respeita à capacidade de atrair públicos.
«Nós não podemos ter seguramente espetáculos com tanta gente como tem um grande centro urbano», observou, defendendo que é necessário «repensar também como é que fazemos as candidaturas».
Para Henrique Sim Sim, o reforço do financiamento exige um trabalho conjunto entre instituições e agentes culturais, capaz de responder às condições específicas da região.
O vice-presidente defendeu, por isso, a importância de um processo de «diálogo contínuo, de crescimento contínuo e conjunto e colaborativo», tendo como objetivo perceber como aumentar o número de candidaturas e captar mais investimento para os projetos culturais alentejanos.
Residências artísticas apresentam resultados mais próximos de outras regiões
Apesar das dificuldades identificadas, Henrique Sim Sim apontou a área das residências artísticas como um exemplo de maior aproximação do Alentejo aos resultados registados noutras regiões do país.
«Na área das residências artísticas já estamos num nível mais regular, já estamos a equiparar-nos com outras regiões», referiu.
O responsável entende, contudo, que é necessário aprofundar o trabalho de acompanhamento aos agentes culturais, promovendo condições para que consigam apresentar candidaturas aos diferentes programas de financiamento.
Nesse sentido, defendeu a realização de um trabalho de «apoio, de estímulo, de incentivo», manifestando confiança na possibilidade de aumentar o número de estruturas culturais da região beneficiárias dos apoios da DGARTES.
Alteração dos regulamentos não está afastada, mas exige avaliação
Confrontado com a possibilidade de os regulamentos dos concursos terem de ser alterados para responder às especificidades de territórios como o Alentejo, Henrique Sim Sim não assumiu uma posição definitiva.
«Não sei. Isso é uma avaliação que a DGARTES tem de fazer», respondeu, considerando que cabe às entidades regionais perceber como captar mais financiamento dentro das regras atualmente existentes.
O vice-presidente da CCDR Alentejo sublinhou, no entanto, que a dimensão dos projetos não deve ser o único elemento a considerar quando se analisa a atividade cultural de um território.
«Estas iniciativas de pequena escala são muito relevantes também», afirmou, referindo atividades realizadas em localidades como Alvito, Vila Nova da Baronia e Viana do Alentejo.
Para Henrique Sim Sim, os projetos culturais de proximidade representam uma componente da oferta artística regional e devem continuar a ter espaço nas políticas de apoio à cultura.
«Não precisamos de ter, ou podemos ter alguns grandes eventos, mas também precisamos ter estes eventos de pequena escala de proximidade», defendeu.
O responsável considera que o Alentejo poderá afirmar-se culturalmente também através destas iniciativas, associadas às características do território e à relação entre os agentes culturais e as comunidades locais.
As declarações de Henrique Sim Sim apontam, assim, para a necessidade de analisar as candidaturas apresentadas pela região, os critérios de avaliação e as condições de acesso ao financiamento, de forma a identificar os fatores que explicam a diferença entre o Alentejo e outras regiões nos apoios concedidos pela DGARTES.

















