As famílias residentes nas zonas abrangidas pelos projetos das centrais fotovoltaicas da Graça do Divor e Sol de Évora, nos concelhos de Évora e Arraiolos, poderão beneficiar de descontos nas faturas de eletricidade, mesmo que os investimentos previstos não se concretizem. A medida foi anunciada por Diogo Trindade, diretor da Hyperion Renewables, em entrevista ao podcast «Factos e Conversas», do Jornal ODigital.pt, durante a qual revelou que a empresa pretende colocar em funcionamento unidades de autoconsumo coletivo até ao final de 2027.
O projeto faz parte de um programa de compensações destinado às comunidades locais e será desenvolvido em duas fases, sendo que a primeira não depende da construção das centrais solares, cujo investimento conjunto está estimado em 650 milhões de euros.
Segundo Diogo Trindade, a empresa está a trabalhar com um parceiro na preparação das unidades de autoconsumo coletivo, que permitirão às famílias aderentes beneficiar de uma redução nos encargos com eletricidade.
O responsável explicou que a primeira fase avançará independentemente da concretização dos projetos solares, estando previsto um segundo momento em que a Hyperion poderá reforçar os benefícios atribuídos às populações, caso as centrais venham a ser construídas.
Autoconsumo coletivo poderá arrancar até ao final de 2027
Durante a entrevista conduzida pelo jornalista Hugo Calado, Diogo Trindade adiantou que a implementação das unidades de autoconsumo coletivo se encontra em fase de desenvolvimento, não existindo ainda um calendário definitivo.
A intenção da empresa é que estas estruturas comecem a funcionar antes da construção das centrais fotovoltaicas da Graça do Divor e Sol de Évora, apontando o final de 2027 como horizonte para o arranque da iniciativa.
O modelo prevê a adesão de famílias residentes nas comunidades próximas dos projetos, que poderão passar a beneficiar de descontos nas respetivas faturas de eletricidade.
Numa segunda fase, dependente da concretização dos investimentos solares, está previsto um contributo adicional da Hyperion Renewables, que deverá traduzir-se num aumento dos descontos para os participantes.
Questionado sobre o valor das reduções previstas, Diogo Trindade reconheceu que ainda não é possível quantificar o benefício. «Ainda não consigo dizer exatamente quais é que são os descontos», afirmou o responsável, acrescentando que a empresa pretende proporcionar reduções que tenham expressão nos encargos das famílias com eletricidade.
Por esclarecer estão também os critérios de adesão, o número de famílias que poderão beneficiar da iniciativa e as localidades onde serão instaladas as unidades de autoconsumo coletivo.
Projeto integra plano de compensações para as populações
A criação destas unidades constitui uma das principais medidas previstas no programa de compensações apresentado pela Hyperion Renewables para as comunidades abrangidas pelos dois projetos solares.
Segundo Diogo Trindade, a empresa definiu um montante de cerca de seis milhões de euros para ações destinadas às populações locais, tendo as soluções de autoconsumo coletivo particular destaque nesse programa.
O responsável apontou como exemplo uma intervenção já desenvolvida pela empresa em São Bento do Cortiço, no concelho de Estremoz, onde foi instalado um sistema de autoconsumo destinado a assegurar o fornecimento de eletricidade à igreja local.
A implementação de soluções semelhantes nas zonas de influência das centrais solares de Évora e Arraiolos pretende, segundo o diretor da Hyperion, assegurar benefícios diretos para as comunidades que acolhem os investimentos.
Os projetos da Graça do Divor e Sol de Évora encontram-se ainda sujeitos aos respetivos procedimentos de avaliação ambiental, pelo que a sua concretização depende das decisões das entidades competentes.
Entrevista completa disponível no «Factos e Conversas»
As declarações foram prestadas por Diogo Trindade na entrevista ao podcast «Factos e Conversas», do Jornal ODigital.pt, publicada esta quarta-feira, 14 de outubro.
Ao longo de cerca de 45 minutos, o diretor da Hyperion Renewables abordou os investimentos previstos para o Alentejo, os impactos ambientais e paisagísticos das centrais solares, os procedimentos de licenciamento, as compensações para as populações e os novos projetos de energias renováveis em desenvolvimento na região.
A entrevista integral, conduzida por Hugo Calado, está disponível em vídeo no Jornal ODigital.pt.

















