Helena David conta no VÄLIDO Talks como transformou o amor pelos animais numa profissão

A empreendedora é a convidada do novo episódio do VÄLIDO Talks, numa conversa sobre petsitting, fibromialgia, recomeços, responsabilidade e a criação de um negócio próprio em Évora.

Helena David é a convidada do novo episódio do podcast VÄLIDO Talks, no qual partilha o percurso que a levou a transformar a ligação aos animais numa atividade profissional.

Aos 27 anos, trabalha como petsitter e dog walker, prestando cuidados ao domicílio a animais cujos tutores estão ausentes ou não conseguem assegurar os passeios e outras rotinas diárias.

O caminho profissional que hoje segue não fazia parte dos seus planos iniciais. Helena David jogou futsal na primeira divisão e tinha como objetivo chegar à seleção, mas o diagnóstico de fibromialgia obrigou-a a interromper a prática desportiva ao nível competitivo.

“Não me via a fazer mais nada sem ser jogar”, reconhece, explicando que passou por um período de incerteza até encontrar nos animais uma nova direção para a sua vida.

Um sonho interrompido pela fibromialgia

Helena David começou a jogar futsal aos sete anos e chegou à primeira divisão, depois de ter praticado várias modalidades durante a infância e a adolescência.

O percurso foi interrompido quando as dores musculares, o cansaço e a hipersensibilidade ao toque conduziram a uma investigação clínica e ao diagnóstico de fibromialgia.

Durante algum tempo, a antiga atleta associou os sintomas à exigência dos treinos. “Achei que era cansaço do desporto”, recorda, acrescentando que o diagnóstico só surgiu depois de vários exames e da exclusão de outras possíveis causas.

A ligação aos animais abriu um novo caminho

Depois de deixar o futsal e regressar a Évora, Helena David criou com a mãe uma marca de bolsas em tecido destinadas ao transporte de sacos para dejetos de animais.

Seguiram-se as formações de auxiliar de veterinária e de grooming, bem como cerca de três anos de trabalho no Hospital Veterinário da Muralha.

O serviço de petsitting começou de forma informal, quando familiares e conhecidos lhe pediam que cuidasse dos animais durante períodos de ausência. Com o aumento das recomendações e da carteira de clientes, percebeu que poderia transformar a atividade na sua principal ocupação.

Helena David admite que, numa fase inicial, nem ela acreditava que seria possível viver deste trabalho em Évora. “Agora também não me vejo a fazer mais nada para além disto”, afirma.

O que faz uma petsitter

No caso de Helena David, o serviço é prestado na residência dos clientes. A profissional desloca-se às casas para assegurar alimentação, passeios, limpeza dos espaços, administração de medicação e acompanhamento dos animais.

Além das necessidades básicas, considera que o trabalho passa por minimizar a ausência dos tutores. “O petsitting não é só isso. É também tentar colmatar a ausência dos donos, que é o que mais custa aos animais”, explica.

O episódio aborda ainda o dog walking, serviço através do qual Helena David organiza passeios regulares e grupos de cães, recolhendo-os em casa e levando-os a espaços onde podem exercitar-se e socializar.

Confiança e responsabilidade

Entrar diariamente nas casas dos clientes foi um dos principais desafios no início da atividade.

A profissional admite que sentia receio pela responsabilidade de guardar chaves e aceder a espaços privados sem conhecer ainda bem os tutores. Com o tempo, a criação de relações de confiança alterou essa perceção.

Atualmente, mantém várias dezenas de chaves de clientes e considera que a confiança é uma das bases da profissão, tanto pela entrada nas residências como pela responsabilidade de cuidar de animais que fazem parte das famílias.

Empreendedorismo, descanso e equilíbrio

A conversa aborda também a gestão do negócio, a dificuldade em recusar pedidos e o risco de esgotamento.

Helena David recorda que, durante o verão passado, chegou a ter entre 20 e 25 casas para visitar num único dia, num período de temperaturas elevadas. A carga de trabalho provocou ataques de pânico e obrigou-a a cancelar os serviços durante uma semana.

“Não consigo dizer que não às pessoas”, admite, reconhecendo que precisa de melhorar a gestão do descanso e estabelecer limites para evitar uma nova situação semelhante.

O novo episódio do VÄLIDO Talks aborda ainda o crescimento do mercado dos cuidados para animais, a necessidade de formação e o objetivo futuro de Helena David de criar em Évora um hotel e um espaço de atividades para cães.

A entrevista integra a parceria entre o Jornal ODigital.pt e o VÄLIDO Talks, através da qual os leitores podem acompanhar os episódios e conhecer os principais temas abordados por cada convidado.


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