Cerca de 40 crianças de Avis, no distrito Portalegre, integram um projeto que visa a plantação de uma oliveira por cada um, recebendo depois o azeite produzido por essa árvore até aos 18 anos, foi agora divulgado.
A iniciativa partiu de um protocolo estabelecido entre o engenheiro-agrónomo e jovem agricultor João Varela, de 30 anos, com a Santa Casa da Misericórdia de Avis (SCMA).
Em declarações à agência Lusa, João Varela, natural da aldeia de Ervedal, no concelho de Avis, explicou ter iniciado o seu projeto de jovem agricultor no ano passado e recordou que a sua família, também ligada ao setor, é rendeira “há mais de 70 anos” de terras pertencentes à SCMA.
“Eu achei sempre que uma instituição particular de solidariedade social (IPSS) teria de ter uma parte social importante e, daí, termos, em conjunto, delineado este projeto, para envolver as crianças que, apesar de estarem em meio rural, às vezes estão um bocadinho distantes daquilo que é a realidade”, relatou.
Numa primeira fase, segundo o engenheiro-agrónomo, a iniciativa arranca com “cerca de 40 crianças” pertencentes à creche da SCMA, mas o projeto também “está falado” com os responsáveis do primeiro ciclo da escola de Ervedal, para que os alunos possam igualmente vir a ser abrangidos.
“Eu deixei mais de 100 árvores por plantar para fazer esta atividade com crianças. Provavelmente, poderá ainda haver a hipótese de fazer [o projeto] noutra perspetiva, com alguns idosos”, acrescentou.
João Varela explicou ainda que cada oliveira dá “mais ou menos um litro” de azeite por campanha e que a produção deverá entrar em pleno dentro de três anos.
“É mais ou menos um litro de azeite por árvore, por isso, estamos a falar de 150 litros por ano, desde o início da produção. As árvores vão ser plantadas agora, vão levar três anos a atingir a produção e, depois, até as crianças atingirem a idade adulta vão receber o azeite em casa, de preferência pela altura do Natal”, explicou.
Dar a conhecer o mundo rural, em particular o mundo da olivicultura, é outro dos objetivos deste projeto, segundo o produtor.
“Nós somos de uma zona rural, de uma zona olivícola, mas a verdade é que isto tem estado a mudar, [com] reconversões de olivais tradicionais para olivais em sebe, e existe muito a ideia que isto é a pior coisa do mundo. E eu, como engenheiro-agrónomo e jovem daqui da zona, sinto-me um bocadinho na obrigação de desmistificar isso e dar-lhes a conhecer a realidade, que tem coisas boas e coisas más, como tudo”, disse.
Para João Varela, a ideia passa também por “dar a perceber” às crianças que, “até terem o azeite na mão, há todo um processo” nos campos.
De acordo com o agricultor, ao longo da parceria com a SCMA, as crianças vão fazer “pelo menos” três visitas anuais aos olivais, para poderem acompanhar as podas de formação, assistir ao processo de floração e, depois, na altura do fruto e colheita.
O projeto arranca no terreno esta sexta-feira, decorrendo as visitas ao campo por parte das crianças nos próximos dias, indicou ainda o promotor.














