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CAP preocupada com tarifas dos EUA e avisa que competição vai ser “mais dura”

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) manifestou-se preocupado com as tarifas anunciadas pelo Presidente dos EUA e alerta que “a competição vai ser muito mais dura”.

À entrada de uma reunião de concertação social, o presidente da CAP manifestou preocupação com a “onda de tarifas” anunciada pela administração norte-americana, apontando que terá “um grande impacto na economia global”, desde logo “no crescimento, ou no menor crescimento, da economia global”.

No que diz respeito ao setor da agricultura, Álvaro Mendonça e Moura realça que Portugal exporta “cerca de 100 milhões de euros de vinho para os Estados Unidos”, o que representa “um pouco mais de 10% do total” das exportações de vinho.

“Portanto, obviamente que nos causa uma grande preocupação”, reitera, manifestando-se ainda preocupado com o impacto das tarifas nas exportações de cortiça e de azeite.

Donald Trump anunciou na quarta-feira novas tarifas norte-americanas de 20% a produtos importados da União Europeia e que acrescem às de 25% sobre os setores automóvel, aço e alumínio.

O presidente da CAP realça, por isso, que é importante “ter consciência” de que é necessário “recuperar a relação com os Estados Unidos” a curto ou médio prazo, mas sublinha que “a primeira reação” deve ser “pensar muito seriamente” como se pode “compensar” este impacto.

“E aí contamos, obviamente, com o apoio do Estado na promoção de exportações, porque não é só o mercado dos Estados Unidos que nos preocupa”, indica, referindo-se a uma “concorrência acrescida de todos os produtores mundiais de vinho noutros mercados”.

“A competição vai ser muito mais dura”, avisa, referindo que vai “haver uma tendência global de divergir [as exportações] para outros mercados” que não os EUA. Além disso, insta o país a procurar outros mercados para exportação, acrescentando que “é muito importante que o Estado apoie este esforço”.

A CAP defende, por isso, que “neste momento” deve ser dado um apoio aos setores mais afetados, nomeadamente os acima referidos, e disse ser “normal” que a União Europeia reaja às tarifas anunciadas.

O Ministério da Economia vai reunir-se na próxima semana com 16 associações empresariais de diversos setores para avaliar “o impacto e as medidas de mitigação” das tarifas anunciadas pelo Presidente dos EUA, anunciou hoje o executivo.

As novas tarifas de Trump são uma tentativa de fazer crescer a indústria dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que pune os países por aquilo que disse serem anos de práticas comerciais desleais.

As novas tarifas foram impostas pelos Estados Unidos sobre todas as importações, com sobretaxas para os países considerados particularmente hostis ao comércio.

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