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Novo projeto quer “reinventar” setor dos mármores em cinco concelhos do Alentejo

Como aqui já avançámos, um novo projeto para “reinventar” o setor dos mármores em cinco concelhos do Alentejo, com a transformação e reutilização de subprodutos, foi candidatado ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), num investimento de 59,6 milhões de euros.

O setor dos mármores “continua a ser fundamental para esta região”, mas “precisa de se reinventar e adaptar aos novos tempos”, afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL), João Grilo.

Liderado pela ADRAL, o projeto, designado “Stone Cast”, envolve também câmaras municipais, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, instituições de ensino superior e empresários do setor.

Segundo o presidente da ADRAL, o projeto abrange os concelhos de Borba, Estremoz, Vila Viçosa e Alandroal, no distrito de Évora, e de Sousel, no de Portalegre, os quais formam o anticlinal de Estremoz, uma das mais antigas e produtivas superfícies de extração de mármores no país.

João Grilo indicou que uma das vertentes do projeto pretende dar resposta a “um dos maiores problemasresultantes da exploração do mármore, que são “os subprodutos”, que têm “impacto na paisagem e em termos ambientais”.

Através de novas tecnologias e novas soluções, queremos reduzir o impacto ambiental negativo da exploração, reutilizando os subprodutos em novos produtos que entrem no mercado”, referiu o também autarca de Alandroal.

Uma das soluções é “transformar os subprodutos do mármore em papel, o chamado ‘stone paper’”, que é um produto “já testado, muito versátil e com capacidade de entrar no mercado de forma competitiva e resolver o problema das escombreiras”, apontou.

Os materiais também podem ser utilizados para a produção de casas modulares e para um outro conjunto de soluções que são hoje importantes no mercado, pensando sempre na resposta de não utilizar matéria-prima, mas sim subprodutos”, vincou.

A introdução das tecnologias de computação “em todo o processo de exploração”, para dar “melhores respostas até do ponto de vista do aproveitamento da pedra” e também para “atrair profissionais qualificados”, é outro dos destaques da iniciativa.

Tudo isto envolvido num processo de profunda transformação tecnológica que permita que o setor se torne mais atrativo para profissionais qualificados”, para que passe a ser “visto como um setor amigo ambiente e em linha com a economia circular”, realçou.

Grilo considerou que “o setor tem trabalhado de forma relativamente desordenada”, pois, existem “problemas de legalização de pedreiras e de ordenamento do território”, e defendeu a necessidade de se corrigirem os “erros do passado”.

Pela primeira vez, existe um conjunto de soluções que nos permite olhar para o território e dizer que, se fizemos estes investimentos, se tivermos vontade política, financiamento e os industriais envolvidos, podemos começar, de uma vez por todas e de forma concreta, a mudar a paisagem desta zona”, frisou.

O projeto, cuja candidatura já foi submetida ao PRR, integra ainda componentes relacionadas com questões sociológicas deste território, promoção turística e investigação científica. Com um total de 66 acionistas, entre empresas, associações, comunidades intermunicipais e instituições de ensino superior, entre outros, a ADRAL, que tem sede em Évora, visa contribuir para o desenvolvimento socioeconómico do Alentejo.

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