Vice-presidente da CCDR desafia municípios do Alentejo a avançarem com cartas arqueológicas

Henrique Sim-Sim considera que a Carta Arqueológica de Reguengos de Monsaraz deve servir de exemplo e sublinha a importância destes instrumentos para conhecer, proteger e planear o território

O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo), Henrique Sim-Sim, defende que os municípios da região que ainda não dispõem de carta arqueológica devem avançar com este instrumento, apontando o trabalho apresentado este sábado em Reguengos de Monsaraz como um exemplo a seguir.

Em declarações ao Jornal ODigital.pt, à margem da apresentação da “Carta Arqueológica de Reguengos de Monsaraz – De Tempore Antico”, Henrique Sim-Sim destacou a importância de reunir e tornar acessível a informação relativa aos mais de 1.500 sítios arqueológicos identificados no concelho.

“É importante ter registado, ter inventariado, ter acessível também a informação sobre estes mais de 1.500 sítios que são identificados no concelho de Reguengos de Monsaraz”, afirmou.

Conhecer para proteger o património

Para o responsável da CCDR Alentejo com o pelouro da Cultura, uma carta arqueológica permite, desde logo, conhecer a dimensão e a relevância histórica dos vestígios existentes num território. Mas a sua função não se limita ao inventário.

Henrique Sim-Sim salientou que estes documentos têm também um papel na proteção do património, permitindo evitar a perda de sítios arqueológicos e apoiar a sua salvaguarda.

“Isso permite, por um lado, conhecimento, saber o que temos e saber a importância e relevância para a história do concelho, mas proporciona também, sobretudo, a proteção destes sítios e o facto de não se virem a perder”, explicou ao Jornal ODigital.pt.

O vice-presidente da CCDR Alentejo destacou, neste contexto, o trabalho realizado pelo Município de Reguengos de Monsaraz e pela equipa responsável pela elaboração da carta.

“Um exemplo” para outros concelhos

Henrique Sim-Sim considera que o trabalho desenvolvido em Reguengos de Monsaraz pode servir de referência para outros municípios.

“É um trabalho que deve ser também exemplo para que outros municípios possam continuar também a fazer este trabalho”, afirmou.

Questionado pelo Jornal ODigital.pt sobre a existência de concelhos da região que ainda não dispõem deste instrumento, o responsável confirmou que essa realidade ainda existe no Alentejo.

“Existem alguns municípios que ainda não têm a sua carta arqueológica”, disse.

Para Henrique Sim-Sim, a elaboração destes documentos constitui uma prática que deve ser progressivamente alargada.

“São boas práticas que devem ser prosseguidas por todos”, considerou, acrescentando que pretende deixar “um incentivo, um estímulo e um desafio” para que estas cartas venham também a ser realizadas noutros concelhos.

Instrumento para planeamento e ordenamento do território

O vice-presidente da CCDR Alentejo salientou ainda que a importância das cartas arqueológicas não se restringe à investigação ou à conservação patrimonial.

Estes documentos têm também implicações no ordenamento do território e no planeamento municipal.

“É um instrumento importante também para a questão do ordenamento do território. É um instrumento importante para o planeamento e é um instrumento, sobretudo, importante para salvaguardar um legado histórico”, afirmou Henrique Sim-Sim ao Jornal ODigital.pt.

O responsável reconheceu, contudo, que nem todos os municípios conseguem desenvolver este tipo de trabalho ao mesmo tempo.

“Nem todos conseguiram. Não se consegue fazer tudo ao mesmo tempo”, referiu, manifestando a expectativa de que os concelhos que ainda não possuem carta arqueológica possam avançar com o processo no futuro.

Carta de Reguengos reúne mais de 1.500 sítios

A “Carta Arqueológica de Reguengos de Monsaraz – De Tempore Antico” foi apresentada este sábado, 26 de setembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

O documento resulta do trabalho desenvolvido por Rui Mataloto e André Pereira, gestor de ciência no Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa.

A publicação reúne mais de 1.500 sítios arqueológicos identificados no concelho e pretende constituir uma base de trabalho para o conhecimento, gestão e salvaguarda do património arqueológico de Reguengos de Monsaraz.

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