A RENOVAR Santiago do Cacém contesta o Parque Eólico do Sudoeste e exige uma posição pública das autarquias, sessões de esclarecimento e um estudo cumulativo dos projetos energéticos previstos para o município e para os concelhos vizinhos.
Num comunicado datado de 4 de agosto, a organização afirma defender as energias renováveis, mas rejeita o que considera ser «mais um projeto para alimentar o consumismo desenfreado» e as necessidades energéticas associadas ao desenvolvimento de grandes centros tecnológicos.
Consulta pública decorre até 18 de agosto
O procedimento atualmente em consulta pública diz respeito à Proposta de Definição do Âmbito do Estudo de Impacte Ambiental do Parque Eólico do Sudoeste. A consulta decorre entre 29 de julho e 18 de agosto, através do portal Participa.
Esta fase é preliminar e serve para definir as matérias que deverão ser analisadas no futuro Estudo de Impacte Ambiental. A decisão sobre a proposta não corresponde à aprovação ou rejeição do parque eólico.
Projeto prevê 23 aerogeradores e sistema de baterias
De acordo com a informação pública disponível, o projeto prevê a instalação de 23 aerogeradores, com uma potência total de 138 megawatts, distribuídos pelos núcleos de São Bartolomeu, Vale Miguel e Monte das Oliveiras.
A área de estudo é de cerca de 1.098 hectares e abrange a União das Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra e a freguesia de Abela. O projeto inclui ainda um sistema de armazenamento com 61 contentores de baterias de lítio, com uma capacidade estimada de 200 megawatts-hora.
A produção anual prevista é de 386,4 gigawatts-hora e deverá ser destinada ao autoconsumo industrial do Data Center Sines 4.0, desenvolvido pela Start Campus. A promotora do parque é a Hyperion Renewables Sines.
RENOVAR pede intervenção das autarquias
A organização exige que a Câmara Municipal de Santiago do Cacém, a União das Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra e a Junta de Freguesia de Abela:
- se pronunciem publicamente sobre o projeto;
- promovam sessões de esclarecimento dirigidas às populações;
- exijam um estudo dos impactos cumulativos dos vários projetos energéticos;
- definam zonas para a instalação de projetos fotovoltaicos e eólicos.
A RENOVAR relaciona o parque eólico com outros projetos fotovoltaicos previstos para o concelho, nomeadamente em São Domingos e Vale de Água e no Cercal do Alentejo. O comunicado refere áreas de 1.260 e 394 hectares e afirma que estes empreendimentos têm sido contestados pela população.
No caso da Central Fotovoltaica do Cercal, o processo oficial regista uma Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada, pelo que o atual estado de cada projeto deverá ser clarificado na notícia.
A consulta pública do Parque Eólico do Sudoeste permanece aberta até 18 de agosto. A eventual construção do projeto dependerá das fases seguintes de avaliação ambiental, licenciamento e aprovação.



















