A Universidade de Évora anunciou que está concluído o projeto da futura sede do Centro de Investigação em Ciências do Mar (CIEMAR), um investimento superior a três milhões de euros destinado a reforçar a investigação multidisciplinar, a inovação e o desenvolvimento de novas atividades económicas ligadas ao mar. O anúncio foi feito pelo reitor António Candeias durante o workshop “Alentejo e o Oceano – Desafios e oportunidades para a região no litoral do continente europeu”, realizado esta terça-feira.
Universidade reforça aposta estratégica nas Ciências do Mar
Apesar de estar sediada no interior do país, a Universidade de Évora voltou a afirmar o oceano como uma das suas áreas estratégicas de desenvolvimento. Durante a sessão de abertura do workshop, o reitor António Candeias explicou que a localização geográfica nunca constituiu um obstáculo à ligação da academia ao mar, recordando a proximidade do litoral alentejano e o percurso desenvolvido ao longo de várias décadas na investigação marinha.
O principal anúncio da sessão foi a conclusão do projeto da futura sede do CIEMAR, infraestrutura que representará um investimento superior a três milhões de euros. Segundo António Candeias, o novo espaço pretende reforçar a investigação multidisciplinar, estimular a inovação e contribuir para o aparecimento de novas atividades económicas de elevado valor acrescentado para a região.
O responsável defendeu ainda que a crescente afirmação de Sines e Santiago do Cacém como polos da economia azul cria condições para reforçar a presença da Universidade no território, colocando o conhecimento científico ao serviço das empresas, municípios e restantes entidades da região.
Nova formação académica acompanha crescimento da economia azul
A estratégia da academia passa igualmente pelo reforço da oferta formativa. António Candeias destacou a recente licenciatura em Estudos do Mar, desenvolvida em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade do Algarve, bem como os mestrados em Gestão e Conservação de Recursos Naturais e em Engenharia e Gestão da Aquacultura.
A Universidade tem ainda em avaliação uma proposta de doutoramento em Ciências e Tecnologias do Meio Aquático, procurando consolidar a formação avançada nesta área em colaboração com outras instituições de ensino superior.
Especialista das Nações Unidas alerta para alterações climáticas e poluição dos oceanos
O workshop contou igualmente com a participação de Maria João Bebianno, professora catedrática jubilada da Universidade do Algarve e membro do grupo de peritos das Nações Unidas responsável pela elaboração do Third World Ocean Assessment.
Durante a intervenção, a especialista alertou para os impactos das alterações climáticas nos ecossistemas marinhos, destacando que a alteração das correntes oceânicas está já a provocar mudanças na distribuição das espécies. Referiu também que a poluição por plásticos afeta atualmente mais de quatro mil espécies marinhas e que muitos desses contaminantes acabam por entrar na cadeia alimentar, defendendo uma maior aproximação entre a ciência, a sociedade e os decisores políticos.
Governo quer transformar o mar num motor de desenvolvimento
Na sessão de encerramento, o secretário de Estado das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, defendeu que a economia azul deve assumir-se como um dos principais motores do desenvolvimento económico nacional.
O governante revelou que está em fase de conclusão uma rede nacional de hubs azuis, distribuídos ao longo da costa portuguesa, destinada a aproximar a investigação científica das empresas e a estimular a criação de novas atividades económicas ligadas ao mar, sublinhando ainda a necessidade de reforçar a colaboração entre universidades, centros de investigação e setor empresarial.

















