O dispositivo de resposta aos incêndios rurais no Alentejo está no «auge de prontidão», com os meios terrestres e aéreos preparados para intervir durante a fase considerada mais crítica do ano, afirmou o comandante regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo, Rui Conchinha.
Em declarações prestadas esta quarta-feira, em Vila Viçosa, o responsável explicou que o dispositivo integra corpos de bombeiros, Guarda Nacional Republicana e sapadores florestais, além dos meios aéreos mobilizados para o período de maior risco.
«Todo o dispositivo, seja de meios terrestres como de meios aéreos, está no seu auge de prontidão para fazer face, nomeadamente, a este período», afirmou Rui Conchinha. Segundo o comandante regional, a preparação procura garantir uma resposta com mais meios perante ocorrências de maior dimensão.
Instabilidade atmosférica pode aumentar risco de incêndio
Rui Conchinha explicou que os modelos de avaliação de risco continuam a apontar para a possibilidade de períodos com condições meteorológicas atípicas nas próximas semanas, embora tenha sublinhado que as previsões a médio prazo estão sujeitas a alterações.
Uma das principais preocupações está relacionada com a possibilidade de ocorrência de trovoadas secas, devido ao risco de provocarem várias ignições num curto período.
«Pode passar aqui algum novo carrossel de instabilidade atmosférica que possa trazer alguns fenómenos de trovoada seca, o que muito nos preocupa e nos traz sempre problemas pela quantidade e pela simultaneidade de ocorrências», afirmou.
O comandante regional acrescentou que as estruturas de Proteção Civil acompanham os dados disponibilizados pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera e por entidades académicas, cruzando diferentes modelos de avaliação.
Sempre que é antecipado um aumento da severidade das condições, são elevados os estados de prontidão, com reforço de equipas, pré-posicionamento de meios e adaptação da resposta operacional.
Época decorre dentro da normalidade
Questionado sobre o balanço da atual época de incêndios, Rui Conchinha evitou apresentar números, justificando que os dados relativos às ocorrências e à área ardida podem sofrer alterações significativas de um dia para o outro.
Ainda assim, considerou que, até ao momento, o ano tem decorrido dentro da normalidade, tendo em conta o número de incêndios e a área atingida.
«Em termos comparativos com anos anteriores e com médias de vários anos, estamos a ter um ano perfeitamente normal, tanto em número de ocorrências como em áreas ardidas», declarou.
O comandante regional alertou, contudo, que esta situação não elimina a possibilidade de ocorrências de maior dimensão.
«Não temos risco zero», afirmou, acrescentando que «garantidamente vamos ter incêndios» e que alguns poderão ser grandes.
Comandante reconhece falta de bombeiros voluntários
Rui Conchinha reconheceu também a existência de dificuldades relacionadas com a redução do número de bombeiros voluntários e com a disponibilidade dos operacionais.
«É um facto. Não vale a pena escamotear essa realidade», afirmou, defendendo que o sistema deve procurar utilizar da forma mais eficiente os recursos humanos e materiais existentes.
Apesar da falta de efetivos, o comandante regional destacou o papel desempenhado pelos bombeiros voluntários na resposta às ocorrências, considerando que continuam a estar na linha da frente da Proteção Civil.
Sobre os incentivos ao voluntariado, Rui Conchinha referiu que têm sido adotadas medidas pelo Estado e pelos municípios, incluindo compensações, apoios sociais e benefícios de âmbito local. Admitiu, porém, que os apoios existentes ainda não correspondem a tudo o que seria necessário para incentivar o recrutamento.
Prevenção não chega a todo o território
Relativamente à limpeza dos terrenos e à gestão de combustível, Rui Conchinha considerou que as prorrogações de prazos permitiram executar mais trabalhos, tendo em conta as condições meteorológicas e o risco diário existente em cada município.
O comandante regional reconheceu, no entanto, que não é possível intervir em toda a área considerada necessária.
«Nunca conseguimos fazer a prevenção e gerir o nosso território rural da forma como gostaríamos», afirmou, defendendo que devem ser aproveitados os períodos em que as condições meteorológicas permitem realizar trabalhos no espaço rural.

















