A Rede de Rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora é um investimento estratégico para o desenvolvimento agrícola do Alto Alentejo e um exemplo da aposta do Governo na gestão da água. A convicção foi expressa pelo ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que, em declarações ao Jornal ODigital.pt, defendeu que estas infraestruturas representam um investimento com retorno económico, social e territorial.
Durante a inauguração da nova rede de rega, em Campo Maior, o governante enquadrou o projeto na estratégia nacional para os recursos hídricos, sublinhando que a água ocupa um lugar central nas prioridades do Executivo.
«Não é por acaso que uma das dez prioridades do Governo é o programa Água que Une», afirmou, explicando que o objetivo passa por investir cerca de 5,4 mil milhões de euros até 2030, seguindo-se uma nova fase de investimento de mais quatro mil milhões de euros.
Para José Manuel Fernandes, estas verbas não devem ser vistas apenas como despesa pública.
«Eu disse investir porque este investimento traz retorno económico e permite tirar partido das potencialidades do território», afirmou ao ODigital.pt.
Água como fator de desenvolvimento
Ao longo da entrevista, o ministro sustentou que a agricultura desempenha hoje um papel muito mais abrangente do que a simples produção de alimentos.
«A agricultura é, em primeiro lugar, segurança alimentar, significa comida no prato. Mas é também coesão territorial, competitividade e economia», afirmou.
Na sua perspetiva, projetos como o Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora permitem criar riqueza, reforçar a atratividade dos territórios do interior e combater o despovoamento.
José Manuel Fernandes considerou que estas infraestruturas ajudam igualmente a criar condições para a renovação geracional no setor agrícola.
«Estes investimentos ajudam a proteger o território através da presença das pessoas. Reforçam a atratividade, a coesão territorial e a renovação geracional, que é um dos nossos objetivos.»
Investimentos na água já ultrapassam os 600 milhões de euros
O ministro revelou que estão atualmente em execução ou já concluídos investimentos na ordem dos 600 milhões de euros destinados ao reforço das infraestruturas de água para a agricultura.
Segundo explicou, trata-se de projetos considerados essenciais para responder aos desafios das alterações climáticas e aumentar a capacidade produtiva da agricultura portuguesa.
José Manuel Fernandes frisou que a estratégia do Governo passa por garantir disponibilidade de água, sem descurar as exigências ambientais.
«Temos de utilizar os recursos naturais, proteger o ambiente e criar riqueza. É possível compatibilizar competitividade, sustentabilidade ambiental e coesão territorial.»
Alqueva é apresentado como exemplo
Durante a conversa com o Jornal ODigital.pt, o governante recorreu ao exemplo do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva para ilustrar o impacto económico que este tipo de investimentos pode gerar.
«O Alqueva já está mais do que pago», afirmou.
Segundo explicou, o empreendimento gera atualmente cerca de 330 milhões de euros por ano em receita fiscal, demonstrando que os investimentos em infraestruturas hidráulicas acabam por produzir retorno para o Estado.
Para José Manuel Fernandes, o caso de Alqueva demonstra igualmente que é possível conciliar desenvolvimento agrícola e proteção ambiental.
Recordando as críticas que antecederam a construção da barragem, o ministro referiu que muitas das previsões então feitas não se confirmaram.
«Hoje existe uma gruta artificial com mais morcegos do que existiam anteriormente», exemplificou, defendendo que o projeto se tornou uma referência na compatibilização entre desenvolvimento económico e conservação ambiental.
Barragens servem muito mais do que a agricultura
O governante aproveitou ainda para recordar que as barragens atualmente projetadas ou em construção têm uma utilização múltipla.
Além do abastecimento às explorações agrícolas, estas infraestruturas destinam-se também ao consumo humano, ao apoio à proteção civil e à manutenção dos caudais ecológicos.
«No programa Água que Une compatibilizamos consumo humano, agricultura, proteção civil, coesão territorial, competitividade e sustentabilidade ambiental.»
Segundo José Manuel Fernandes, esta visão integrada permitirá preparar melhor o país para enfrentar períodos de seca cada vez mais frequentes.
Campo Maior integra estratégia nacional
Na perspetiva do ministro, a Rede de Rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora representa precisamente este novo paradigma da política agrícola.
Ao disponibilizar água de forma mais eficiente para cerca de 1.560 hectares, a infraestrutura permitirá aumentar a competitividade das explorações agrícolas, criar melhores condições para o investimento privado e potenciar o desenvolvimento económico do Alto Alentejo.
«São investimentos urgentes e essenciais para aproveitar todo o potencial do território», concluiu José Manuel Fernandes.

















