A Google vai estabelecer em Sines uma das estações de amarração do novo cabo submarino Nuvem, uma infraestrutura com cerca de 6900 quilómetros que permitirá uma ligação direta entre Portugal e os Estados Unidos.
O projeto, que inclui passagens pelos Açores e pelas Bermudas, deverá entrar em funcionamento durante este ano. A infraestrutura será apresentada esta terça-feira, numa cerimónia marcada para o Oceanário de Lisboa.
Com a chegada do Nuvem, Sines reforça a sua posição na rede internacional de comunicações digitais, juntando esta ligação a outros sistemas submarinos que já chegam à costa portuguesa.
Cabo liga Sines diretamente aos Estados Unidos
O Nuvem será a primeira ligação submarina direta desta natureza entre Portugal e os Estados Unidos. O cabo vai transportar dados através de fibra ótica, suportando comunicações, serviços digitais, transações financeiras e tráfego de plataformas online.
Os cabos submarinos asseguram a maioria das comunicações intercontinentais. Ao contrário das ligações por satélite, estas infraestruturas permitem transportar grandes volumes de dados com menor latência e custos operacionais mais reduzidos.
A escolha de Sines como ponto de amarração insere-se no desenvolvimento de um corredor de infraestruturas digitais naquela zona do litoral alentejano, onde também têm sido anunciados projetos relacionados com centros de dados e ligações internacionais.
Instalação exige estudos do fundo do oceano
A instalação de um cabo submarino começa com o levantamento do percurso entre os diferentes pontos de amarração. Os estudos analisam fatores como a profundidade, a atividade sísmica, o relevo do fundo do mar, as zonas de pesca e a existência de outras infraestruturas.
O cabo é depois transportado por navios especializados e depositado ao longo da rota definida. Nas zonas costeiras, onde existe maior risco de contacto com âncoras ou redes de pesca, a estrutura pode ser enterrada no fundo marinho.
Apesar da proteção, os cabos submarinos podem sofrer danos. Estima-se que ocorram entre 150 e 200 avarias por ano em todo o mundo, principalmente devido a acidentes relacionados com atividade marítima.
As infraestruturas têm também sido alvo de maior vigilância devido ao risco de sabotagem. Na Europa, os incidentes registados no mar Báltico levaram a NATO a criar a operação Baltic Sentry, destinada a reforçar a proteção de cabos e outras estruturas submarinas.
Portugal prepara novos investimentos em cabos submarinos
A entrada em funcionamento do Nuvem ocorre num período de renovação das ligações submarinas portuguesas.
O atual sistema CAM, que liga o continente aos Açores e à Madeira desde 1999, será substituído pelo Atlantic CAM. O projeto representa um investimento de 190,4 milhões de euros, com instalação no mar prevista para o segundo semestre de 2026 e entrada em operação apontada para meados de 2027.
Nos Açores, sete ilhas continuam ligadas através de um sistema instalado em 1998, cuja vida útil estimada já foi ultrapassada. Está igualmente prevista a criação de um novo Anel Açores.
Na Madeira, a EMACOM prepara a substituição da ligação entre a ilha da Madeira e o Porto Santo, cuja vida útil termina em 2028.
Portugal encontra-se atualmente ligado a sistemas internacionais como o SAT-3/WASC, EllaLink, WACS, ACE, Equiano e 2Africa, que asseguram comunicações com a Europa, África, América do Sul, Médio Oriente e Índia.

















