Luís Francisco, pré-candidato à presidência da Associação de Futebol de Évora (AFE), pretende criar uma terceira divisão distrital que permita aproximar clubes atualmente inscritos nas competições do INATEL, aumentar as transmissões na AFE TV e reforçar o apoio às equipas que participam nas provas nacionais.
Em entrevista ao jornal ODigital.pt, o pré-candidato explicou as principais linhas da pré-candidatura, anunciada quando faltam cerca de dois anos para o final do atual mandato, e apresentou propostas para o futebol sénior, futsal, futebol feminino, formação e arbitragem.
Luís Francisco justificou o anúncio antecipado da pré-candidatura com a dimensão do trabalho que pretende desenvolver junto dos associados e com a necessidade de preparar as listas para os seis órgãos estatutários da Associação de Futebol de Évora.
“O distrito é grande e há 52 associados. É preciso fazer uma abordagem personalizada e individual a cada um deles”, afirmou, acrescentando que a candidatura exige ainda a constituição dos diferentes órgãos e a subscrição de pelo menos 20% dos associados.
O pré-candidato disse, por isso, que o processo “tem de ser tratado com tempo” e não como “um simples e banal ato eleitoral”.
“Quer as eleições aconteçam apenas em junho de 2028, quer sejam antecipadas, a minha candidatura veio para ficar. É uma candidatura sólida, com ideias próprias, e estaremos preparados no dia em que formos chamados às urnas”, afirmou.
Nova divisão poderá receber clubes do INATEL
Uma das propostas passa pela criação de uma terceira divisão no futebol distrital de Évora, com condições de entrada adaptadas aos clubes que atualmente participam nas competições do INATEL.
De acordo com os números apresentados por Luís Francisco, as atuais competições seniores da AF de Évora, entre a Liga Elite e a Liga AFE, reúnem 35 participantes, enquanto a competição do INATEL integra 22 clubes.
O pré-candidato defendeu a criação de uma terceira divisão distrital, com condições de entrada adaptadas aos clubes que atualmente participam nas competições do INATEL.
“É importante que a AFE consiga desencadear os meios e as fórmulas adequadas para criar uma terceira divisão, com condições muito próprias e níveis de acesso favoráveis aos clubes”, afirmou Luís Francisco.
Segundo explicou, o objetivo seria trazer para os campeonatos da associação “uma parte significativa” dos clubes que disputam atualmente as provas do INATEL.
“Logo, aumenta-se o número de clubes e, por conseguinte, aumenta-se o número de atletas. Isso faz subir o ranking associativo, porque o ranking é calculado tendo por base o número de praticantes e de clubes inscritos”, sustentou.
A proposta prevê um período de adaptação, durante o qual os clubes poderiam beneficiar de prazos para cumprir alguns requisitos relacionados com as instalações, como a instalação de torniquetes, placares eletrónicos ou sistemas de videovigilância.
“Este processo não pode ser feito de forma estanque. Tem de ser evolutivo, construtivo e permitir a adaptação”, referiu, admitindo ainda que, numa fase inicial, os clubes integrados na terceira divisão não fossem obrigados a subir, mesmo que obtivessem classificação para isso.
“Aqueles que se sintam capazes e tenham vontade de subir podem fazê-lo. Os outros poderão permanecer nesta terceira divisão durante o período de adaptação”, explicou.
AFE TV poderá ter jogos e programas durante a semana
A reformulação da AFE TV é outra das propostas apresentadas por Luís Francisco, que considera insuficiente a transmissão de apenas uma partida em cada jornada.
“A AFE TV não pode continuar a esgotar-se num jogo por fim de semana. Queremos mais jogos”, afirmou.
Luís Francisco afirmou que pretende alargar as transmissões às várias competições organizadas pela associação, incluindo o futsal e o futebol feminino, e criar uma programação regular ao longo da semana.
“Queremos fazer algo como o espelho do Canal 11, mas numa dimensão muito mais reduzida e adaptada à realidade local”, explicou.
O projeto deverá incluir também reportagens realizadas junto dos clubes, com a participação de atletas, dirigentes e treinadores, procurando mostrar o trabalho desenvolvido pelas diferentes estruturas do distrito.
“Queremos ir aos clubes, mostrar a comunidade, o que fazem e como fazem, trazendo atletas, dirigentes e treinadores para o debate”, adiantou.
O pré-candidato sulinhou que pretende ainda que a programação da AFE TV não fique limitada aos dias de jogo.
“Paulatinamente, queremos que, à segunda-feira, sejam transmitidos os resumos dos jogos do fim de semana e que, à terça, quarta, quinta e sexta-feira, possamos ter programas nos diferentes clubes da associação”, referiu.
Segundo o pré-candidato, a reformulação da plataforma permitiria divulgar o trabalho dos associados e aproximar os clubes da estrutura distrital.
Associação deve apoiar clubes nas provas nacionais
O pré-candidato defende uma intervenção mais próxima da Associação de Futebol de Évora junto dos clubes que alcançam as competições nacionais, através da articulação com as autarquias e o tecido empresarial do distrito.
Luís Francisco referiu os percursos do Lusitano de Évora, Juventude de Évora, GD Portel e Estrela de Vendas Novas para sustentar a necessidade de criar condições que permitam às equipas permanecer nos campeonatos nacionais.
“É preciso criarmos as condições e os alicerces para que os clubes, quando chegam às provas nacionais, não sejam ioiôs. Não sejam clubes que sobem, permanecem apenas uma época e voltam a descer”, afirmou.
O pré-candidato considera que a AF de Évora deve procurar mecanismos de apoio aos clubes, sem descurar as restantes equipas que participam nas competições distritais.
“Temos de criar um mecanismo de apoio. Por vezes, não será apenas financeiro. É preciso estarmos na linha da frente na interação com os parceiros territoriais desses clubes”, explicou.
Entre esses parceiros, Luís Francisco identificou as câmaras municipais e as empresas locais, defendendo uma intervenção da associação na procura de recursos e parcerias que ajudem os clubes a responder às exigências das provas nacionais.
“Estamos a falar do tecido empresarial e das autarquias locais, que já fazem alguma coisa por esses clubes, mas poderá ser necessário fazer um pouco mais quando chegam a esses patamares”, referiu.
Luís Francisco defendeu ainda que a permanência de clubes do distrito nos campeonatos nacionais contribuiria para aumentar a projeção do futebol eborense.
“Desejamos que o Portel permaneça no Campeonato de Portugal, que o Lusitano possa subir à II Liga, que o Juventude possa chegar à Liga 3 e que, depois, por lá fiquem”, declarou.
“Temos de procurar uma parceria de excelência com todos os interlocutores locais e mostrar a importância de ter os clubes nos patamares mais elevados”, acrescentou.
Futsal poderá ter vice-presidente dedicado
No futsal, Luís Francisco defendeu uma articulação com as câmaras municipais e os estabelecimentos de ensino para facilitar o acesso dos clubes aos pavilhões existentes no distrito.
“Primeiro, é preciso sensibilizar todas as câmaras municipais do distrito. Temos de ter mais pavilhões disponíveis, porque nem todos os clubes dispõem de um espaço para a prática do futsal”, afirmou.
O pré-candidato considera que a falta de instalações constitui um dos obstáculos à criação de novas equipas e entende que a Associação deve avaliar, em conjunto com os clubes, as condições necessárias para o desenvolvimento da modalidade.
“Os clubes, por si só, não têm capacidade para construir um pavilhão. Sabemos, no entanto, que as câmaras municipais e alguns estabelecimentos escolares dispõem dessas instalações”, explicou.
Luís Francisco defendeu ainda um trabalho de proximidade para perceber quais os clubes disponíveis para avançar com equipas de futsal e quais os custos associados.
“É preciso conhecer a disponibilidade dos clubes e avaliar o centro de custos de tudo isto, para criarmos as condições necessárias ao crescimento da modalidade”, referiu.
Segundo o pré-candidato, algumas coletividades poderão estar próximas de avançar, mas necessitam de acompanhamento por parte da associação.
“Se calhar, muitos clubes estão a um ‘clique’ de dar esse passo, mas ainda não tiveram uma palavra de conforto, de esperança ou de sensibilização. É preciso diálogo e um forte empenhamento da associação junto dos clubes”, sustentou.
A aposta no futsal deverá refletir-se também na composição da futura direção. Luís Francisco revelou que pretende integrar um vice-presidente especificamente vocacionado para esta área.
“Quero ter um vice-presidente da direção muito direcionado para o futsal, o que demonstra claramente a aposta que pretendo fazer nesta modalidade”, afirmou.
Já no futebol feminino, Luís Francisco reconheceu que o crescimento poderá ser mais gradual, mas defendeu a criação de projetos de dinamização e recrutamento junto das escolas.
“O futebol feminino poderá crescer, mesmo que de uma forma mais diminuta, mas pode crescer. É uma questão de dinamização e de incentivo, mostrando a importância que esta vertente tem vindo a assumir no panorama nacional”, declarou.
O pré-candidato considera que o desenvolvimento da modalidade deverá começar nos escalões de formação, antes da criação de novas equipas seniores.
“Temos de começar de baixo. Será mais difícil criar logo um projeto sénior quando ainda não existe competitividade local”, explicou, dizendo ainda que “Évora não perderá este comboio” e que “o futebol feminino veio para ficar e temos de criar condições para o alavancar no distrito”.
Campanhas para recrutar árbitros
A falta de árbitros é outra das áreas identificadas por Luís Francisco, que defende campanhas de recrutamento junto dos jovens e uma presença mais ativa da Associação de Futebol de Évora em escolas, feiras, centros comerciais e terminais rodoviários.
“É preciso incutir nos jovens a vontade de querer ser árbitro. Sabemos que é um setor muitas vezes mal-amado do futebol, mas precisamos de criar condições para que a arbitragem cresça”, afirmou.
Segundo o pré-candidato, a escassez existente no distrito obriga atualmente a AF de Évora a recorrer à colaboração das associações de Beja e Setúbal.
“Évora tem protocolos com Beja e Setúbal para a vinda de árbitros, porque existe escassez. É preciso termos mais árbitros e proporcionar-lhes todas as condições necessárias”, declarou.
Luís Francisco propõe que o recrutamento deixe de estar limitado aos cursos promovidos pela associação e passe a ser realizado nos locais frequentados pelos potenciais candidatos.
“Tal como vemos, por exemplo, stands da Força Aérea, do Exército ou da Marinha em feiras, também podemos estar durante uma ou duas semanas num centro comercial, numa escola ou numa estação rodoviária para atrair jovens para a arbitragem”, explicou.
O pré-candidato considera que poderão existir jovens interessados na modalidade que nunca foram diretamente convidados a experimentar.
“Pode haver jovens de 12, 13 ou 14 anos que gostam de futebol e a quem nunca ninguém perguntou se queriam experimentar a arbitragem. Se não tentarmos, nunca saberemos”, sustentou.
Luís Francisco alertou ainda que qualquer aumento do número de equipas e competições terá de ser acompanhado pelo reforço dos quadros de arbitragem.
“Se queremos fazer crescer o futsal, o futebol feminino e as competições seniores, obviamente que também precisamos de mais árbitros. Ou os formamos, ou teremos de alargar os protocolos a outros distritos”, afirmou.
“É preciso atrair talento. É preciso ir buscá-lo, quer para o futebol nas suas várias vertentes, quer também para a arbitragem”, concluiu.
Lista para os órgãos está em preparação
Luís Francisco revelou ainda que os cabeças de lista para os seis órgãos da Associação “estão praticamente escolhidos”, faltando apenas “a resposta de duas pessoas” que já foram convidadas.
Os restantes elementos serão selecionados em articulação com os responsáveis de cada órgão, nomeadamente dos conselhos de disciplina e de arbitragem.
“Não vou escolher os membros dos outros órgãos sem o fazer em interação com os respetivos cabeças de lista. Essas pessoas têm de ter uma palavra a dizer sobre quem vai trabalhar diretamente com elas”, explicou.
O pré-candidato esclareceu, contudo, que ainda não está a pedir formalmente o apoio dos clubes. Nesta fase, encontra-se a “escutar os clubes, ouvi-los e interagir com eles”: Depois, os clubes irão decidir se sou credor do apoio deles ou não”.

















