A Sé de Évora e o Salão Central Eborense recebem este sábado, 18 de julho, dois espetáculos que, apesar de distintos, foram programados para serem vistos em sequência. “Revelação”, com textos originais de José Tolentino Mendonça, sobe à cena às 21h00, enquanto “MA”, do artista francês Maxime Houot, é apresentado às 22h00.
Em declarações ao jornal ODigital.pt, o diretor artístico de Évora_27, John Romão, explicou que os dois projetos fazem parte da programação de preparação para a Capital Europeia da Cultura e antecipam algumas das linguagens e propostas artísticas que vão regressar à cidade em 2027.
“São dois projetos de curta duração e daí a proposta de serem vistos em sequência, em dois espaços emblemáticos da cidade de Évora”, afirmou, referindo-se à Sé e ao Salão Central Eborense.
Programação de 2026 antecipa Capital Europeia da Cultura
Segundo John Romão, os dois espaços vão também acolher iniciativas durante o ano da Capital Europeia da Cultura.
A programação desenvolvida ao longo de 2026 procura, por isso, apresentar previamente alguns dos artistas, formatos e linguagens que vão integrar Évora_27.
“Existe este objetivo de irmos trazendo, nesta programação de aquecimento ao longo de 2026, alguns artistas, projetos, formatos e linguagens que, de alguma forma, despertam ou revelam algumas das aproximações que a programação terá em 2027”, explicou.
É o caso de Maxime Houot e do Collectif Coin, responsáveis por “MA”. O projeto, que se estreia em Portugal este sábado, assenta numa instalação performativa que combina luz, som, música e movimento.
O coletivo francês regressará a Évora em 2027 para apresentar um projeto de maior dimensão no Rossio de São Brás.
“É uma forma de apresentar esta linguagem musical muito visual, que tem a sua espetacularidade através do trabalho de luz digital que o coletivo desenvolve”, salientou John Romão.
Textos de Tolentino Mendonça interpretados por Albano Jerónimo
A primeira proposta da noite, “Revelação”, parte de textos originais escritos pelo cardeal e poeta José Tolentino Mendonça, a convite de John Romão.
Com encenação do diretor artístico de Évora_27 e interpretação de Albano Jerónimo, o projeto estreou-se em novembro, no âmbito de uma parceria entre Braga 25 — Capital Portuguesa da Cultura e Évora_27.
“Estávamos a aguardar o melhor momento para o apresentar e esperamos que também seja um projeto que possa continuar a circular pelo Alentejo e a nível nacional”, indicou.
John Romão explicou que mantém uma relação artística com José Tolentino Mendonça desde 2014, quando o poeta escreveu a peça “Perdoar Helena”, interpretada pelo próprio encenador e pelo ator Pedro Martins.
“Desde então, estivemos sempre à procura de uma outra oportunidade para colaborar. Este momento chegou”, acrescentou.
Para o diretor artístico, os textos de “Revelação” convidam o público a interromper o ritmo quotidiano e a olhar para além daquilo que é imediatamente visível.
“Como toda a poesia de José Tolentino Mendonça, esta também nos convida a fechar os olhos, a refletir sobre nós, a colocar perguntas e a vermos as coisas de outra maneira”, afirmou.
A revelação proposta pelo espetáculo acontece, segundo John Romão, “dentro de cada pessoa”, através do despertar de outros sentidos e de uma atenção dirigida ao que pode estar oculto.
“Requer uma outra atenção, um outro olhar e um outro tempo”, sublinhou.
Do interior da Sé à tecnologia do Salão Central
A apresentação consecutiva dos dois projetos procura criar uma ligação entre as experiências propostas ao público, começando no interior da Sé de Évora e terminando no Salão Central Eborense.
Em “Revelação”, o foco está colocado na palavra, no corpo e na presença do ator. Já em “MA”, a experiência desenvolve-se através da música, do som e de um conjunto de luzes em movimento.
“O projeto aponta para uma relação da tecnologia com uma certa espiritualidade, através do movimento das luzes, que vão produzir uma coreografia bastante surpreendente”, explicou John Romão.
O percurso entre os dois espaços foi pensado como parte da própria experiência artística, estabelecendo uma relação entre interior e exterior, espiritualidade e tecnologia.
“É este caminho entre dois espaços, entre o dentro e o fora, entre a espiritualidade e a tecnologia”, sintetizou o diretor artístico.
A proposta relaciona-se igualmente com o conceito de “Vagar”, que orienta a programação de Évora_27.
“Há uma relação com o próprio tempo interior que nos podemos permitir e também com a espiritualidade. Esse sentido de ler devagar, em torno desse encontro connosco próprios, é uma dimensão importante na programação de Évora_27”, concluiu.
Os dois espetáculos têm entrada gratuita, mediante levantamento prévio de bilhete. No momento da entrevista, as sessões encontravam-se esgotadas, estando a organização a avaliar a possibilidade de realizar uma sessão adicional no próprio dia.

















