A Guarda Nacional Republicana (GNR) anunciou o resgate de um bufo-real no concelho de Alter do Chão, no dia 13 de julho, depois de a ave ter sido entregue por um cidadão no Posto Territorial local.
Segundo a informação divulgada pela GNR, o animal foi recolhido pelo Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) do Comando Territorial de Portalegre e encaminhado para os serviços do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no Parque Natural da Serra de São Mamede, onde seria sujeito a avaliação clínica, tratamento e acompanhamento especializado.
No entanto, uma nova versão da história começou a circular. Miguel Belo, fotógrafo de aves e natureza, divulgou nas redes sociais uma versão mais detalhada do caso, na qual afirma ter sido ele a recolher o bufo-real ferido em Chança, no concelho de Alter do Chão, e a entregá-lo à GNR no dia 11 de julho.
De acordo com o fotógrafo, a ave só terá chegado a um centro de recuperação em Castelo Branco cerca de 51 horas depois, acabando por morrer. Miguel Belo acusa o SEPNA de Portalegre de “inércia ou incompetência” na forma como o animal foi encaminhado.
Miguel Belo encontrou ave sem conseguir voar
Segundo a publicação, Miguel Belo encontrava-se de férias quando foi contactado por um amigo, depois de uma pessoa ter avistado um bufo-real junto a uma estrada, aparentemente com uma asa partida.
O fotógrafo deslocou-se ao local acompanhado por outras três pessoas, incluindo o neto, tendo percorrido vários quilómetros à procura da ave.
Depois de uma primeira tentativa sem resultados, o grupo foi novamente alertado para a localização do animal e conseguiu recolhê-lo.
Miguel Belo afirma que o bufo-real era juvenil, não conseguia voar e apresentava uma asa aparentemente partida.
O fotógrafo contactou o Posto Territorial de Alter do Chão, que, segundo o relato, comunicou a situação ao SEPNA de Portalegre.
A ave foi depois levada para o posto da GNR cerca das 16h00 de sábado, 11 de julho. Miguel Belo refere que deu água ao animal antes da entrega e novamente já nas instalações da Guarda.
Transporte terá sido concluído cerca de 51 horas depois
De acordo com Miguel Belo, o SEPNA recolheu o bufo-real cerca das 18h00 de domingo, 12 de julho.
A ave terá sido posteriormente entregue num centro de recuperação de animais selvagens, em Castelo Branco, pelas 19h15 de segunda-feira, 13 de julho.
Segundo a cronologia apresentada pelo fotógrafo, terão decorrido cerca de 51 horas entre a entrega do animal no Posto Territorial de Alter do Chão e a chegada ao centro de recuperação.
A publicação não permite apurar onde permaneceu a ave durante todo esse período, nem que cuidados lhe foram prestados antes da chegada à unidade especializada.
Fotógrafo responsabiliza SEPNA pela morte
Miguel Belo afirma que contactou posteriormente o centro de recuperação e que foi informado de que o bufo-real chegou debilitado e acabou por morrer, apesar dos cuidados prestados.
Na publicação, o fotógrafo responsabiliza diretamente o SEPNA de Portalegre pelo desfecho, afirmando não saber se a atuação se deveu a “inércia” ou “incompetência”.
Miguel Belo sustenta que a ave deveria ter sido encaminhada mais cedo para assistência especializada e refere que, caso soubesse que o transporte demoraria aquele período, teria levado pessoalmente o animal ao centro de recuperação.
Não foi possível confirmar de forma independente a causa da morte, o estado clínico da ave à chegada, os cuidados prestados durante o período em que esteve à guarda das autoridades ou se o tempo decorrido contribuiu para o agravamento da sua condição.
Informação inicial apontava para resgate no dia 13
A informação inicialmente divulgada pela GNR indicava que o resgate tinha ocorrido no dia 13 de julho e que a ave tinha sido encaminhada para os serviços do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no Parque Natural da Serra de São Mamede.
O relato de Miguel Belo refere, contudo, que o bufo-real foi entregue no posto da GNR no dia 11 e transportado para um centro de recuperação em Castelo Branco no dia 13.
Ficam por esclarecer as horas exatas da recolha e da entrega, as condições em que a ave permaneceu durante o período referido e a razão pela qual não terá sido encaminhada mais cedo para tratamento.
ODigital.pt entrou em contacto com a GNR e o ICNF, que recusaram prestar declarações sobre o caso.

















