A vila de Monsaraz voltou este sábado, 11 de julho, a transformar-se num espaço de criação e apresentação cultural, com a abertura da 26.ª edição da Bienal Monsaraz Museu Aberto, que decorre até ao próximo domingo, dia 19.
Sob o mote “O céu começa no chão”, a iniciativa começou com a inauguração de exposições no Museu do Fresco, na Igreja de Santiago e no Convento da Orada, distribuindo a programação por vários espaços patrimoniais da vila e da freguesia.
“Estamos aqui, estamos enraizados, temos uma identidade e, a partir daqui, podemos olhar para o céu e sonhar”, afirmou a presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, Marta Prates, em declarações aos jornalistas durante a abertura da Bienal.
A autarca explicou que o lema desta edição parte da ligação entre Monsaraz, o território e as possibilidades criadas através da cultura.
“O céu começa no chão” pretende, segundo Marta Prates, mostrar que é a partir das raízes, da identidade e do lugar onde cada comunidade se encontra que é possível projetar o futuro.
Exposições abriram programação de nove dias
A programação inaugural começou no Museu do Fresco, seguindo depois para a Igreja de Santiago, onde decorreu uma performance-concerto de Garcia da Selva, e para o Convento da Orada.
As exposições cruzam arte contemporânea com o património de Monsaraz e permanecem abertas ao longo da Bienal. A curadoria das artes visuais pertence a Manuel Santos Maia, da estrutura Plantel Itinerante, enquanto a programação artística e cultural é assegurada por Miguel Abreu, da Academia de Produtores Culturais, com assessoria de Tiago Galrito.
O programa do primeiro dia inclui ainda um momento musical com Switchdance, no Terreiro da Ermida de São Bento, e um concerto de Edmundo Inácio, marcado para as 22:00h, na Arena do Castelo de Monsaraz.
Marta Prates destacou ainda a introdução de novas funções na organização artística da Bienal. “Este ano temos também a novidade de ter um programador cultural” e “um curador para as exposições”, afirmou a presidente da Câmara, considerando que esta opção confere “um caráter profissional” ao Monsaraz Museu Aberto.
Bienal chega a outros locais da freguesia
A 26.ª edição não fica limitada ao interior das muralhas. A programação inclui atividades no Telheiro, na Praia Fluvial de Monsaraz, no Olival da Pega e noutros locais da freguesia.
Segundo Marta Prates, a descentralização pretende aproximar o evento dos habitantes e permitir que a população se reconheça como parte da Bienal.
“Quisemos descentralizar para que a população da freguesia se sinta parte desta programação e deste evento”, declarou a presidente da autarquia.
Até 19 de julho, o programa integra concertos, teatro, dança, circo contemporâneo, cinema ao ar livre, conferências, visitas ao património, oficinas e iniciativas relacionadas com o cante alentejano.
Entre os momentos previstos estão atuações de Pedro Jóia, A Garota Não e Kajó Soares, concertos dos Músicos do Tejo e da Sociedade Filarmónica Harmonia Reguenguense, o espetáculo “Carmina Burana” e a Gala do Cante nas Terras do Grande Lago, que encerra a programação.
Preparação da próxima edição começa em 2026
Durante a abertura, Marta Prates anunciou também que o trabalho do Monsaraz Museu Aberto deverá passar a desenvolver-se nos anos que separam cada edição.
A Bienal mantém a sua periodicidade formal, mas a Câmara pretende iniciar a preparação da edição de 2028 logo após o encerramento da programação deste ano, envolvendo escolas, coletividades, associações e habitantes.
“Quando acabar a Bienal de 2026, já estamos a começar a Bienal de 2028”, afirmou a autarca, classificando esta alteração como uma “mudança de paradigma” no projeto.
Criado em 1986 pelo Município de Reguengos de Monsaraz, o Monsaraz Museu Aberto passou a realizar-se com periodicidade bienal em 1998. Quatro décadas depois da primeira edição, o evento mantém a vila medieval, o património, a paisagem e a identidade local como elementos centrais da programação.























































































