Mora quer consolidar a sua estratégia turística com foco na valorização de produtos identitários e na captação de investimento hoteleiro, assumiu o presidente da Câmara Municipal, Luís Simão, em declarações ao Jornal ODigital.pt na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL).
O autarca destacou que o turismo é uma aposta estruturante do concelho há vários anos, recordando investimentos como o Fluviário de Mora e o Museu Interativo do Megalitismo. «A aposta do concelho de Mora no turismo já vem de longa data», afirmou, acrescentando que o caminho passa por «valorizar aquilo que é nosso» e transformar o turismo numa atividade com impacto direto na economia local.
Valorização dos vinhos de talha de Cabeção
Na BTL, Mora apresentou os vinhos de talha de Cabeção como produto âncora da sua estratégia turística. Luís Simão sublinhou que se trata de «um produto identitário que é muito nosso», associado a uma tradição centenária.
Segundo o presidente da autarquia, há registos da produção de vinho de talha desde o século XVI, embora a técnica seja anterior. «É uma forma de fabrico muito própria», referiu, considerando que se trata de «um produto distintivo do nosso concelho».
A promoção desta marca passa também pelo reconhecimento formal do vinho. O autarca explicou que o município está a trabalhar com a Confraria do Vinho da Talha para que o produto possa ter essa designação no rótulo. «Importa valorizar este produto», afirmou, defendendo que esse reconhecimento permitirá reforçar a sua comercialização e projeção.
Falta de hotel limita permanência de visitantes
Apesar da dinâmica turística, o presidente da Câmara reconhece constrangimentos ao nível do alojamento. «Acho que nos fazia falta ali um hotel, um hotel que fosse acessível à carteira de todos», declarou.
Luís Simão apontou que, em períodos de maior afluência, a oferta esgota. «Este fim de semana […] está tudo esgotado. Não há lugares», exemplificou, referindo eventos como o Mês das Migas e a Feira da Pesca. Nessas situações, os visitantes acabam por procurar alojamento em concelhos vizinhos.
O autarca defende que a existência de uma unidade hoteleira permitiria fixar turistas e garantir que o retorno económico dos eventos organizados pelo município permaneça no concelho. «É o município de Mora que faz o investimento e teríamos todo o prazer que os proveitos ficassem em Mora», afirmou, manifestando expectativa de que surja investimento privado nessa área.
Com presença na BTL, Mora reforça assim uma estratégia centrada no turismo identitário, na valorização dos produtos locais e na criação de condições para aumentar a permanência de visitantes no território.



































