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Como Luciano de Vries Está a Transformar o Setor Imobiliário do Algarve

O sul de Portugal experimenta uma transformação no seu mercado imobiliário. Luciano de Vries, empresário holandês radicado em Tavira, lidera múltiplos projectos de desenvolvimento através da Casa Vista Real Estate. Os empreendimentos abrangem várias localidades algarvias e reflectem uma abordagem que visa tanto investidores internacionais como residentes locais.

“Se andar por aqui, vê muitos projectos por desenvolver, o que pode não ser um bom sinal, mas também vê muitos turistas a chegar todos os anos. Vê-os a ficar mais tempo, e vê-os a gastar mais dinheiro”, observou de Vries numa entrevista recente. Esta análise do mercado fundamenta a sua entrada no sector imobiliário português.

Os projectos em curso demonstram diversidade. Em Loulé, de Vries e os sócios planeiam construir sete courts de padel com ginásio anexo. A iniciativa surgiu de uma necessidade pessoal. “Somos todos fãs de jogar padel, na verdade, os três acionistas. Notei que em Loulé, que fica no meio de todos nós três, não há realmente um court”, explicou sobre a génese do projecto.

Desenvolvimento em Múltiplas Frentes

Em Olhão, a empresa avança com terrenos destinados a 234 apartamentos residenciais. O projecto encontra-se em fase de planeamento detalhado. “Ainda não estamos a construir, porque em Portugal não se pode construir num mês. Primeiro precisa de comprar, depois precisa de ter as conversas, depois precisa de falar com os arquitectos e com os engenheiros”, descreveu de Vries sobre os processos regulatórios portugueses.

Silves acolherá um desenvolvimento multifuncional que combinará museu, escritórios, hotel e apartamentos. Ferragudo compreende outra área de foco, com dois desenvolvimentos em processo de aquisição que poderão totalizar aproximadamente 80 vilas.

A abordagem de de Vries ao mercado português parte de uma observação sobre desequilíbrio entre oferta e procura. “A oferta não corresponde à procura. Pode ser em quantidade, quanto existe, ou pode ser em qualidade. No Sul, penso que é principalmente sobre qualidade, porque o alojamento ou as estadias que as pessoas procuram ainda não têm a qualidade que as pessoas querem”, analisou.

Dinâmicas de Mercado e Tendências Demográficas

Os investimentos de de Vries coincidem com mudanças demográficas mais amplas. “Vê a tendência, se estou a falar do imobiliário agora, vê a tendência de que os europeus do norte gostariam de passar não só os invernos, mas talvez uma parte maior do ano em áreas mais soalheiras”, explicou. Migração sazonal prolongada cria procura por propriedades que funcionem como residências secundárias durante períodos extensos.

O aeroporto de Faro estabeleceu recentemente ligação directa com Nova Iorque, facto que de Vries considera significativo. “Faro é um aeroporto muito pequeno, e é principalmente porque os americanos querem gastar o seu dinheiro aqui. E se os americanos vão de férias para uma viagem tão longa, não procuram as acomodações mais baratas ou mais fáceis, mas querem algo mais”, observou sobre as expectativas deste segmento de mercado.

A estratégia financeira de de Vries segue um padrão definido. Entre 20% e 30% do capital vai para imobiliário, percentagem similar para investimentos em startups, outra porção equivalente reinvestida nas empresas existentes, e 10% reservado para despesas pessoais. “Na verdade, não queremos dinheiro nas nossas contas, por isso queremos investir tudo”, afirmou sobre a filosofia de reinvestimento constante.

Os desenvolvimentos visam criar valor tanto para compradores internacionais como para residentes portugueses. De Vries enfatizou a importância de oferecer opções acessíveis e de qualidade para locais, reconhecendo que desenvolvimentos exclusivamente orientados para turistas ou estrangeiros não beneficiam adequadamente as comunidades existentes.

Processos e Parcerias

A entrada no mercado português exigiu adaptação aos processos locais. Os prazos de desenvolvimento excedem significativamente os de outros mercados onde de Vries opera. “Demora muito tempo antes de poder começar algo assim. Mas estamos bastante avançados com esse”, comentou sobre um dos projectos em Olhão.

A Casa Vista Real Estate trabalha com agências imobiliárias internacionais para conectar compradores estrangeiros com propriedades portuguesas. “Começam a comunicar com a sua filial americana, que é uma agência imobiliária muito grande, ou têm agências parceiras nos Estados Unidos para pessoas que procuram casas por aqui”, descreveu de Vries sobre a rede de distribuição.

Experiência Vivida em Portugal

A própria experiência de de Vries como residente em Portugal informa a sua abordagem ao desenvolvimento. Estabelecido em Tavira, mantém uma mini-quinta onde cria gado e cultiva produtos hortícolas. “Temos muitos vegetais que posso comer todos os dias da terra, as galinhas põem ovos. Agora temos tudo desde melões a pepinos a tomates”, partilhou sobre a propriedade.

Esta imersão na vida local proporciona perspectivas que investidores puramente financeiros podem não captar. De Vries testemunha directamente os padrões de turismo, as necessidades residenciais e as dinâmicas comunitárias que moldam o mercado imobiliário algarve.

A região algarvia do sul de Portugal oferece vantagens competitivas específicas. Clima mediterrânico permite utilização de propriedades durante todo o ano. Os custos de construção e terrenos permanecem inferiores aos de mercados comparáveis em Espanha ou Itália. A qualidade de vida atrai tanto reformados como trabalhadores remotos que podem operar de qualquer localização.

Visão para o Sector

Os projectos de de Vries no Algarve representam uma aposta na contínua internacionalização da região. O modelo de desenvolvimento que privilegia qualidade sobre quantidade contrasta com algumas abordagens anteriores que saturaram certas áreas costeiras com construção de baixo valor.

“Se conseguir algo de que está à procura num preço acessível, mas com boa qualidade, então acho que muitas pessoas ficarão interessadas”, comentou sobre a proposta de valor dos desenvolvimentos. Esta combinação de acessibilidade e qualidade visa criar mercado sustentável que sirva múltiplos segmentos.

Nos próximos seis meses, vários projectos verão progressão significativa. Planos arquitectónicos avançam para algumas propriedades. Permissões de construção seguem os processos regulatórios locais. As parcerias com agências internacionais expandem o alcance de mercado.

Para o sector imobiliário português, a abordagem de de Vries exemplifica como investidores estrangeiros podem contribuir positivamente quando equilibram ambição comercial com sensibilidade às necessidades locais. Os desenvolvimentos que beneficiam tanto compradores internacionais como residentes estabelecidos criam valor mais durável que projectos puramente especulativos.

A trajectória de de Vries no Algarve permanece em fase inicial, mas a diversidade de projectos e a metodologia fundamentada em análise de mercado sugerem presença de longo prazo. Enquanto muitas áreas portuguesas enfrentam questões sobre impacto do turismo e pressão imobiliária sobre residentes, desenvolvedores que priorizam qualidade e inclusão comunitária podem ajudar a moldar crescimento mais equilibrado.

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