Évora assinalou esta terça-feira, 25 de novembro, o 39.º aniversário da classificação do centro histórico como Património Mundial da UNESCO. A sessão decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho e juntou representantes municipais, da UNESCO e da CCDR-Alentejo. O Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, defendeu a necessidade de iniciar um novo ciclo de ações para preservar e adaptar o centro histórico aos desafios atuais.
O autarca afirmou que o município deve avançar para uma nova etapa de intervenção concertada. «O nosso centro histórico precisa de uma nova partida», declarou. Carlos Zorrinho lembrou que, antes da classificação de 1986, existiram programas estruturantes que permitiram valorizar o património urbano, defendendo agora medidas concretas. «Precisamos de voltar a fazer e esse é um compromisso que devemos assumir», afirmou.
Plano de salvaguarda ou gestão?
O presidente abordou o debate técnico sobre instrumentos urbanísticos e referiu que a questão essencial não está na nomenclatura. «Não nos podemos perder nas palavras», disse. Para o autarca, o importante é garantir que existe uma orientação clara para as intervenções necessárias no centro histórico. «Chamemos-lhe plano de salvaguarda ou plano de gestão. O que é preciso é fazer», sublinhou.
Carlos Zorrinho frisou que os planos não devem ser excessivamente rígidos, mas devem orientar ações específicas de preservação e adaptação. «Compreendo que os planos não podem ser de tal maneira pormenorizados que nos amarrem. Mas precisamos de algo que guie as ações que temos de fazer», afirmou.
Envolvimento dos eborenses e o papel da Capital Europeia da Cultura
O presidente destacou o envolvimento da comunidade como elemento central. «Conto muito com todos os eborenses para que isso seja feito. O nosso centro histórico precisa e merece», afirmou, acrescentando que a preparação da Capital Europeia da Cultura 2027 reforça a urgência destas medidas. «Não podemos deixar passar essa oportunidade», referiu.
39 anos de classificação: impacto e futuro
O presidente recordou que a classificação UNESCO não representou um ponto final, mas sim o início de um novo ciclo. «A classificação que obtivemos não foi um ponto de chegada. Foi um novo ponto de partida», afirmou. O autarca sublinhou o percurso das últimas décadas e o impacto da distinção. «Basta ver a quantidade de pessoas que nos visitam e a forma como Évora é reconhecida», referiu.
Carlos Zorrinho sublinhou ainda a necessidade de equilibrar a vivência dentro e fora do centro histórico. «As pessoas que vivem fora têm de sentir orgulho na cidade. As pessoas que vivem no centro histórico têm de perceber que o centro histórico também tem que dar alguma coisa a tudo o resto que é a cidade, o concelho e a região», afirmou.
Reconhecimentos e memória coletiva
Durante a cerimónia, o presidente destacou o papel de figuras que contribuíram para a classificação, nomeadamente Abílio Fernandes. Realçou também o simbolismo do 25 de novembro, associando a data ao compromisso de preservar o património construído por gerações. «É um dia em que uma geração sinalizou um caminho percorrido em séculos de história», afirmou.
Carlos Zorrinho concluiu com uma reflexão sobre o momento atual. «Há momentos em que temos que desconectar para pensar, mas depois há momentos em que não podemos adiar mais. Este é o momento em que temos que reconectar e recomeçar com mais vigor no centro histórico de Évora», afirmou.



































































