A GESAMB está a promover em Estremoz uma ação dedicada ao encaminhamento correto de resíduos elétricos e eletrónicos, integrada na Semana Europeia da Prevenção de Resíduos 2025. O objetivo central é alertar para o reduzido nível de reciclagem deste tipo de materiais em Portugal e incentivar a população a entregá-los nos locais adequados.
A técnica ambiental da GESAMB, Gilda Matos, sublinhou que o foco da edição deste ano está precisamente nos resíduos elétricos e eletrónicos. Segundo afirmou, a equipa está no terreno para «sensibilizar a população no sentido de dar o correto encaminhamento destes resíduos», lembrando que muitos contêm «componentes perigosos» que exigem tratamento específico.
A unidade de recolha itinerante permanecerá em Estremoz até ao próximo sábado, com recolha de pequenos eletrodomésticos, toners, tinteiros, lâmpadas e pilhas.
Quinta itinerância já recolheu quase uma tonelada de resíduos
A ação em curso insere-se na quinta itinerância deste equipamento móvel, que já passou por Borba, Vila Viçosa e Alandroal. De acordo com Gilda Matos, «já estamos a falar quase de uma tonelada de resíduos recolhidos» nas várias etapas do percurso. A técnica acrescentou que estes valores estão «a superar os do ano passado», contrariando a expectativa de que existissem menos resíduos armazenados nas casas dos consumidores.
Segundo a responsável, o volume recolhido indica simultaneamente aumento de consumo e falta de reutilização. «Infelizmente estamos ainda nesse registo», afirmou, referindo-se à substituição rápida dos equipamentos em vez da sua reparação.
Aposta na prevenção e necessidade de legislação que facilite reparações
A Semana Europeia da Prevenção de Resíduos destaca este ano a importância de reduzir a produção de lixo na origem. Gilda Matos explicou que a prevenção deveria ser «a aposta mais forte», mas reconheceu que os municípios trabalham «em fim de linha» e dependem de medidas nacionais.
A técnica defendeu que «logo na origem, quando o material é produzido, tem que ter a capacidade de ser reparado», sublinhando a necessidade de peças de substituição acessíveis. Esta ausência de mecanismos dificulta a durabilidade dos equipamentos e reforça a produção de resíduos.
População paga ecovalor, mas equipamentos antigos continuam guardados
Gilda Matos recordou que os consumidores «já pagam um ecovalor» aquando da compra de um novo equipamento, valor que serve para garantir a reciclagem do produto no final de vida. No entanto, alertou que muitas pessoas não têm consciência de que «podem e devem entregar o equipamento velho à empresa que fornece o novo». A responsável reforçou que as empresas «têm obrigação legal» de recolher gratuitamente o equipamento substituído.
No caso de telemóveis, computadores e tablets, Gilda Matos destacou a importância da recuperação dos metais preciosos presentes nestes equipamentos, cuja escassez tem aumentado. Adiantou ainda que mecanismos de incentivo financeiro podem ter impacto, referindo como exemplo futuros sistemas de retorno: «Às vezes basta um euro ou dois para criar o clique na cabeça das pessoas».
Metas europeias exigem mais do dobro da recolha atual
A técnica ambiental sublinhou que Portugal enfrenta desafios significativos para cumprir as metas europeias de recuperação de resíduos elétricos e eletrónicos. Explicou que «ainda não chega a 20%» a quantidade recolhida face ao que é colocado no mercado, valor que classificou como preocupante.
As metas exigem que se avance «de quase cinco quilos por pessoa para mais de 11 quilos por pessoa» de materiais recuperados. Gilda Matos considerou que a sensibilização é indispensável, mas que devem existir «mecanismos financeiros que ajudem a esta economia a circular».
A sensibilização continua a ser a peça central
A GESAMB continuará as ações de recolha e informação ao longo do ano, retomando a itinerância em fevereiro e prolongando-a até maio. Gilda Matos encerrou destacando a importância de momentos como este para aumentar o nível de consciência pública sobre o tema e aproximar o país das metas definidas.

















