A cabeça de lista do movimento independente MCE à Câmara de Évora, Florbela Fernandes, defendeu a reorganização dos serviços municipais, para colmatar setores estratégicos com “défice de pessoal” e conseguir uma autarquia “mais amiga do cidadão”.
“Uma das propostas que temos, e que estamos agora certos que é fundamental, é fazer uma reorganização interna dos serviços”, disse à agência Lusa a candidata que lidera o Movimento Cuidar de Évora (MCE).
Durante a campanha para as autárquicas de domingo, a comitiva do MCE tem visitado diversos serviços camarários e dedicou o dia de ontem aos departamentos no edifício dos Paços do Concelho.
Segundo Florbela Fernandes, a reorganização dos serviços municipais visa, internamente, “servir melhor áreas estratégicas da câmara que estão com défice de pessoal”.
Referindo que lhe foi comunicado que o município possui 1.500 trabalhadores, sendo provavelmente o maior empregador do concelho, a cabeça de lista admitiu que “parece mentira”, mas há falta de funcionários em alguns setores.
A cobrança da água é um dos exemplos, apontou, referindo tratar-se de uma área “chave para o município”, de onde advém “a principal receita própria” da autarquia.
No que diz respeito ao exterior e à relação com os munícipes, a candidata sugeriu “criar uma organização da câmara que seja mais ágil e mais desburocratizada e mais amiga do cidadão”.
Das visitas efetuadas, Florbela Fernandes indicou que “outra área muito importante”, à qual “normalmente os políticos não aderem muito porque tem pouca visibilidade para o exterior”, é a da gestão do arquivo municipal.
“Temos salas e salas cheias de dossiês de papel que ocupam o espaço, por exemplo, dos trabalhadores, que depois estão em ‘open space’. Alguns gostam de trabalhar assim, outros não têm outras condições de trabalho”, criticou.
Ainda com uma ação de contacto com a população ao final da tarde na Praça do Giraldo, ‘sala de visitas’ de Évora, a cabeça de lista do MCE propôs criar um plano de salvaguarda do centro histórico, Património da Humanidade pela UNESCO, desde 1986, e elaborar um novo relatório de classificação do edificado nesta zona da cidade.
O plano de salvaguarda para gerir o centro histórico e dar “as ferramentas necessárias para garantir que quem quer investir e reabilitar o consegue fazer de uma forma mais ágil, menos exigente do ponto de vista burocrático e financeiro”, mas sem colocar em causa a preservação patrimonial, defendeu.
E o relatório para “perceber de que tipo de edifícios estamos a falar, qual é o seu valor patrimonial, até onde é que podemos ir até para, por exemplo, responder às grandes necessidades das alterações climáticas e da questão energética”, disse, manifestando-se apologista de um centro histórico sustentável, vivido e com soluções do século XXI.
Concorrem também à Câmara de Évora João Oliveira (CDU – PCP/PEV), Carlos Zorrinho (PS), Henrique Sim-Sim (PSD/CDS-PP/PPM), Ruben Miguéis (Chega), Pedro Ferreira (BE) e Fábio Cabaço (IL).
O atual executivo municipal, liderado por Carlos Pinto de Sá (CDU), a cumprir o seu terceiro e último mandato, é composto por dois eleitos da CDU, dois do PS, dois do PSD e um do MCE, mas a mesa da assembleia municipal está nas ‘mãos’ dos socialistas.

















