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Alentejo com temperaturas extremas em junho: Mora atinge novo recorde nacional

O mês de junho de 2025 foi marcado por temperaturas muito elevadas e precipitação extremamente reduzida em Portugal continental, com impacto particularmente expressivo no Alentejo. Segundo o Boletim Climático do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o distrito de Évora registou alguns dos valores mais altos do país, sendo Mora o local onde se verificou a temperatura máxima absoluta para o mês de junho em território continental: 46,6 ºC, no dia 29.

Este valor ultrapassa o anterior recorde nacional para o mês, que havia sido registado em Alcácer do Sal em junho de 2017 (44,9 ºC). No mesmo dia, outras localidades alentejanas registaram também temperaturas máximas acima dos 43 ºC, como Portel, Reguengos de Monsaraz, Mértola, Viana do Alentejo, Amareleja, Beja e Elvas.

Durante o mês ocorreram duas ondas de calor, a segunda das quais se prolongou até 9 de julho e abrangeu praticamente todo o Alentejo. Em várias estações da região, as temperaturas mínimas superaram os 24 ºC, com destaque para Portalegre, onde se registou a mínima mais elevada do país: 31,5 ºC, também no dia 29.

As estações de Beja, Évora e Portalegre registaram entre 5 e 6 dias consecutivos com temperaturas mínimas superiores a 20 ºC. A frequência destas «noites tropicais» contribuiu para um agravamento das condições de desconforto térmico na região.

Junho foi também um dos meses mais secos desde 1931, com precipitação residual em praticamente todo o país. No Alentejo, esta situação foi particularmente evidente em localidades como Beja, Faro e Albufeira, onde não se registou qualquer precipitação ao longo do mês. Segundo o IPMA, esta ausência de chuva, aliada às elevadas temperaturas, provocou uma redução significativa da água no solo, sobretudo no Baixo Alentejo, onde em algumas áreas os níveis aproximaram-se do ponto de emurchecimento permanente.

No final de junho, cerca de 9% do território continental encontrava-se em situação de seca fraca, segundo o índice PDSI. As regiões mais afetadas incluíam o sotavento algarvio e parte do Baixo Alentejo, onde os baixos valores de precipitação acumulada e as elevadas temperaturas contribuíram para o agravamento das condições de seca.

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