O céu com aspeto esbranquiçado observado esta segunda-feira em vários pontos do Alentejo não está relacionado com as habituais poeiras provenientes do deserto do Saara. Desta vez, o fenómeno deve-se ao fumo libertado pelos incêndios florestais que continuam ativos nas regiões espanholas de Ávila e Madrid.
As partículas resultantes da combustão estão a ser transportadas pelos ventos de leste e nordeste, atravessando a fronteira e alcançando várias zonas das regiões Centro e Sul de Portugal.
Fumo visível nos distritos alentejanos
A presença da pluma de fumo poderá ser observada através de uma redução da visibilidade e de um tom mais enevoado no céu, mesmo em locais situados a centenas de quilómetros das áreas atingidas pelas chamas.
Entre os territórios onde o fenómeno poderá ser mais percetível encontram-se os distritos de Portalegre, Évora e Beja, assim como Castelo Branco, Guarda, Viseu, Coimbra, Santarém, Lisboa, Setúbal e Faro.
Apesar de o fumo circular sobretudo nas camadas mais elevadas da atmosfera, algumas partículas poderão aproximar-se da superfície, dependendo da direção do vento e das condições de estabilidade atmosférica.
Qualidade do ar pode sofrer alterações temporárias
A chegada do fumo poderá provocar alterações pontuais na qualidade do ar, sobretudo em períodos de menor circulação atmosférica.
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares deverão acompanhar a evolução da qualidade do ar e reduzir atividades prolongadas no exterior caso sejam registadas concentrações elevadas de partículas.
A informação sobre a qualidade do ar em Portugal pode ser consultada através da plataforma QualAr, da Agência Portuguesa do Ambiente, que disponibiliza dados e previsões para as diferentes regiões do país.
Incêndios já atingiram dezenas de milhares de hectares
Os incêndios que atingem Madrid, Ávila e Toledo já afetaram cerca de 77 mil hectares, segundo informações divulgadas pelas autoridades espanholas. O incêndio de Ávila foi classificado pelo Governo espanhol como o maior da história recente do país.
A situação obrigou à retirada ou ao confinamento de milhares de pessoas e à mobilização de meios de várias regiões espanholas e de outros países. Apesar de algumas frentes terem registado uma melhoria durante a noite e a madrugada desta segunda-feira, permanecem focos ativos e áreas por estabilizar.
Pluma poderá permanecer sobre Portugal
A presença de fumo sobre território português deverá depender da evolução dos incêndios e da manutenção dos ventos de leste e nordeste.
O fenómeno não significa que os incêndios estejam a aproximar-se da fronteira portuguesa. Trata-se do transporte atmosférico de partículas, que podem percorrer grandes distâncias antes de se dispersarem.
A população deverá acompanhar a informação disponibilizada pelas autoridades meteorológicas, pela Proteção Civil e pela Agência Portuguesa do Ambiente.




















