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Descredibilização e Abstenção: Uma Ameaça à Democracia

“Como dizia Winston Churchill, “A democracia é o pior dos regimes políticos, exceto todos os outros”. Com todos os seus defeitos, a democracia continua a ser o regime político que mais favorece os cidadãos e que nos garante o nosso bem mais precioso: a liberdade. No entanto, a liberdade não está garantida por si só. A liberdade garante-se dia após dia, com uma sociedade tão forte e mobilizada quão forte for quem governa.”

Depois de uma novela política que entristece qualquer cidadão preocupado com os problemas que enfrenta no dia a dia, e que culminou na ida (novamente) para eleições legislativas antecipadas, pouco mais de um ano desde a última vez que os portugueses foram chamados a decidir quais os deputados que os representariam na Assembleia da República, no próximo dia 18 de maio de 2025 os eleitores serão novamente chamados às urnas para decidir sobre o futuro do nosso país.

Contudo, corremos um sério risco. Ano após ano, verificamos que Portugal tem vindo a atingir elevados níveis de abstenção. Poderíamos analisar, para comprovar a desmotivação dos portugueses em participar nos processos de decisão e em manterem parte ativa da vida política, o número de abstenção nas eleições europeias de 2024, cujo valor rondará os 60% de eleitores que não votaram. Mas basta olharmos para os valores das últimas eleições legislativas para analisarmos o quão Portugal tem vindo a perder ao nível da mobilização política ativa da sociedade. Para este não se tornar um artigo muito exaustivo, convido os leitores a tirarem um pouco do seu tempo para confirmarem as elevadas abstenções, que desde as primeiras eleições em democracia, tem vindo a aumentar. Esses dados são de fácil acesso.

Mas, afinal, por que razão isto representa um risco?

Em qualquer sociedade onde as instituições são democráticas e inclusivas, espera-se dos cidadãos eleitores participação na vida política, não só quando são

chamados para tal, mas no dia a dia, através do escrutínio das ações de quem governa essas instituições.

Quando os eleitores se desmotivam e perdem o interesse em participar, porque ano após ano percebem que o seu voto é descredibilizado, e que de pouco serve ter o trabalho de ir votar, porque os efeitos práticos do voto pouco ou nada se notam, corremos um sério risco de assistir a uma ascensão de partidos muito pouco interessados em defender a democracia, e que se usam dela enquanto podem para no fim a deitar ao lixo.

Mas, para além disso, note-se que, no momento em que os governantes de qualquer país percebem que o seu trabalho possa não estar a ser escrutinado, ou que cada vez menos pessoas estão atentas ao seu trabalho, rapidamente as suas ações se tornam duvidosas, e rapidamente, sem que demos por isso, entramos numa encosta escorregadia, em que a sociedade vai aos poucos perdendo poder, chegando a um ponto em que apenas uma certa elite política terá voto na matéria.

É, por isso, essencial defender a nossa democracia. E a nossa democracia defende-se participando nela, fortalecendo-a. Todo e qualquer cidadão tem o direito de participar, mas deve encarar tal direito como um dever. É dever de todos nós não desistir da democracia e lutar contra a sua destruição. Como dizia Winston Churchill, “A democracia é o pior dos regimes políticos, exceto todos os outros”. Com todos os seus defeitos, a democracia continua a ser o regime político que mais favorece os cidadãos e que nos garante o nosso bem mais precioso: a liberdade. No entanto, a liberdade não está garantida por si só. A liberdade garante-se dia após dia, com uma sociedade tão forte e mobilizada quão forte for quem governa.

A descrença dos cidadãos é compreensível. Todos estamos fartos de assistir a tristes novelas entre políticos que demonstram ano após ano pouco interesse real em intervir de forma direta na vida das pessoas por forma a resolver os seus problemas. Maior parte dos políticos em Portugal estão pouco preocupados com os problemas dos portugueses e em dar resposta aos mesmos, concentrando maior parte da sua atividade em taticismo político. Mas, por isso mesmo, cabe à sociedade estar ainda mais atenta e ser ainda mais rigorosa nas suas escolhas, e

escolher para a representar aqueles que demonstram um real interesse, seja através de conduta, seja pela apresentação de propostas claras e não com promessas falsas e vazias.

A democracia é um bem precioso que exige o compromisso e a participação ativa de todos os cidadãos. Embora a desilusão com a classe política seja compreensível, a abstenção não é a solução, mas sim um agravamento do problema. Quando deixamos de exercer o nosso direito de voto, abrimos espaço para que outros decidam por nós e enfraquecemos a nossa própria voz na construção do futuro do país. Por isso, é essencial que cada cidadão assuma a responsabilidade de votar de forma consciente e informada, escolhendo representantes que verdadeiramente defendam os interesses da sociedade. A defesa da democracia não se faz apenas em palavras, mas sim em atos, e votar é o primeiro e mais fundamental deles.

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